Objetivo é dar novo sentido aos pontos turísticos no quadrilátero central; quem explica é a historiadora Adriana Silva
Uma pesquisa recente coordenada pela Associação Comercial Industrial de Ribeirão Preto, Projeto quer ‘requalificar’ o Centro de Ribeirão Preto, com participação do Instituto de Pesquisa e Consultoria (IPC), buscou identificar as características do centro da cidade para propor um projeto de requalificação do local. Diferente da revitalização, que visa recuperar áreas em decadência, a requalificação pretende dar um novo sentido às atividades e à ocupação do centro, mantendo sua vocação histórica como espaço pulsante de comércio e serviços.
O centro de Ribeirão Preto é reconhecido por sua riqueza arquitetônica e histórica, com 57 unidades tombadas ou em processo de tombamento. O tombamento é um instrumento legal que assegura a preservação de bens de interesse coletivo, seja em âmbito municipal, estadual ou federal, garantindo que imóveis com valor histórico e cultural sejam protegidos para as gerações futuras. Entre essas unidades, há tanto propriedades públicas quanto privadas, todas consideradas importantes para a memória e identidade da cidade.
Conjunto arquitetônico e histórico do centro
O maior conjunto de bens tombados concentra-se nas proximidades das ruas José Bonifácio e Gerônimo Gonçalves, áreas consideradas o ponto inicial da formação urbana de Ribeirão Preto. Nesse trecho, há diversas pequenas unidades arquitetônicas de relevância histórica que, somadas, formam um conjunto significativo para a preservação do patrimônio local. Embora o Teatro Pedro II, localizado na Praça 15 de Novembro, seja o maior impacto arquitetônico individual do centro, o conjunto na região da José Bonifácio apresenta maior quantidade de bens tombados.
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Além disso, o chamado Quarteirão Paulista, que inclui o Mercadão, antigas fábricas como a Paulista e a Antártica, e a Casa Caramuru, também possui relevância histórica, embora em menor quantidade de unidades tombadas em comparação com a região da José Bonifácio. Caso todo esse patrimônio estivesse preservado, o conjunto poderia ser comparado a importantes áreas históricas de outras cidades brasileiras, como o Pelourinho em Salvador.
Importância da preservação e uso cultural: A preservação desses bens arquitetônicos é fundamental para fortalecer a identidade cultural do centro da cidade e para fomentar o turismo e a economia local. A proposta de requalificação inclui a valorização desses imóveis por meio de políticas que incentivem a ocupação cultural e o uso público, promovendo o conhecimento e a recuperação do patrimônio.
Exemplos recentes demonstram o potencial dessa abordagem. A Casa da Memória Italiana, originalmente uma residência, foi transformada em um espaço museológico dedicado à história da imigração e à preservação da memória local. Outro caso é o Espaço 1922, localizado em um imóvel que pertencia a Jorge Lobato, que foi recuperado e adaptado para funcionar como restaurante. Mais recentemente, o Palacete Camilo de Matos também passou por restauração promovida pela iniciativa privada.
Colaboração entre iniciativa privada e poder público
Esses exemplos ilustram como a cooperação entre proprietários privados e o poder público pode resultar na conservação e valorização do patrimônio histórico do centro. A participação ativa da iniciativa privada, somada ao apoio governamental, é vista como essencial para o sucesso da requalificação, garantindo que os imóveis tombados sejam preservados e utilizados de forma que beneficiem a comunidade.
O projeto de requalificação do centro de Ribeirão Preto ainda está em desenvolvimento e deverá continuar sendo tema de discussões e ações nos próximos meses. A expectativa é que, ao valorizar o patrimônio arquitetônico e histórico, o centro da cidade possa se consolidar como um espaço dinâmico, culturalmente rico e economicamente atrativo para moradores e visitantes.
Informações adicionais
O tombamento é um instrumento jurídico que protege bens culturais e históricos, impedindo alterações que comprometam seu valor patrimonial. Em Ribeirão Preto, o centro possui 57 unidades tombadas ou em processo de tombamento, distribuídas principalmente nas ruas José Bonifácio, Gerônimo Gonçalves e no Quarteirão Paulista. A requalificação busca integrar essas unidades ao cotidiano urbano, promovendo usos culturais e comerciais que respeitem a história local.