A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo ampliou neste ano as iniciativas voltadas à recomposição das aprendizagens nos anos finais do ensino fundamental. Em Ribeirão Preto, oito escolas estaduais participam do projeto.
A proposta busca enfrentar defasagens acumuladas, especialmente em matemática e língua portuguesa, agravadas pela pandemia. O programa também conta com apoio internacional para avaliar os resultados e decidir sobre uma possível expansão na rede.
Projeto Voar
De acordo com o professor e coordenador do Programa de Ensino Integral, Mauro Romano, o “Projeto Voar” nasceu a partir de um diagnóstico que identificou dificuldades de estudantes em acompanhar os conteúdos das séries em que estão matriculados.
“Muitos estudantes têm tido dificuldades de acompanhar as aulas de matemática e língua portuguesa dos anos e séries que eles estão matriculados. E essa dificuldade está atrelada a um acúmulo de defasagens, agravado pela questão da pandemia”, destaca o coordenador.
A iniciativa prevê dois processos de ensino dentro da mesma escola. Enquanto uma parte dos alunos segue o currículo regular, outro grupo, com médias e altas defasagens, trabalha competências de anos anteriores, em ritmo mais adequado, para consolidar aprendizagens essenciais.
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Ensino diferenciado
Segundo Romano, a estratégia é baseada no nível de proficiência dos estudantes. O objetivo é recompor conteúdos não consolidados e acelerar competências essenciais, permitindo que o aluno retome o currículo esperado para o ano em que está matriculado.
A estimativa é que, nos anos finais do ensino fundamental, entre 30% e 50% dos estudantes apresentem algum tipo de defasagem, especialmente no 9º ano. Ao todo, 147 escolas no estado aderiram ao projeto em caráter piloto neste ano.
Apoio internacional
O Projeto Voar conta com acompanhamento do núcleo de educação da Universidade de Harvard. A parceria prevê avaliação científica do impacto da política pública ao longo de 2026.
“A partir desse estudo científico, com essa parceria com o pessoal de Harvard, a gente vai poder decidir pela ampliação ou não dessa política para outras escolas da rede”, explica Mauro Romano.
O estudo foi estruturado a partir de um projeto experimental realizado no ano passado em quatro escolas, antes da expansão atual.
Anos iniciais
Além dos anos finais, a Secretaria também desenvolve ações voltadas à alfabetização e ao letramento matemático nos anos iniciais. Entre elas estão o projeto “Alfabetizando Juntos” e a iniciativa “Professor Tutor Anos Iniciais”.
“A educação pública não pode desistir de nenhum estudante. A gente precisa garantir que todos os estudantes conseguirão aprender aquilo que é necessário para que eles possam sonhar”, conclui o professor.
Segundo o coordenador, a meta é evitar que lacunas se ampliem ao longo do tempo, garantindo que os estudantes avancem na jornada escolar com base sólida de aprendizagem.



