Projetos de escolarização voltados a trabalhadores do comércio têm ajudado funcionários a retomar os estudos e concluir etapas da educação básica. Iniciativas implantadas em centros comerciais como o RibeirãoShopping e o Shopping Santa Úrsula oferecem aulas presenciais e material gratuito para colaboradores que não tiveram oportunidade de concluir a formação escolar.
A vendedora Marilene Lima dos Santos é uma das participantes do programa. Ela conta que sempre quis voltar a estudar, mas a rotina de trabalho dificultava a retomada dos estudos. Com o projeto, Marilene conseguiu concluir o ensino fundamental e pretende continuar a formação.
“Eu tinha vontade de voltar a estudar, só que eu não tinha tempo. Vou continuar estudando e vou voltar para um dia eu fazer uma faculdade. Saber que eu sou capaz te dá mais garra, mais força de saber que você pode ir além, pode fazer coisas melhores, você se sente mais inteligente”, comenta a comerciante.
Segundo ela, a oportunidade surgiu por meio do próprio ambiente de trabalho, o que facilitou o acesso às aulas.
O superintendente do RibeirãoShopping, Marcelo Portela, afirma que o projeto vai além de uma ação social. De acordo com ele, a iniciativa contribui para o desenvolvimento pessoal e profissional dos colaboradores.
Leia também
“O projeto gera impacto muito grande na vida das pessoas, trazendo novas perspectivas para a carreira e um novo olhar sobre o mundo”, explica o superintendente.
No Shopping Santa Úrsula, o gerente-geral Cleiton Marinsech explica que os participantes recebem material didático gratuito e aulas presenciais adaptadas à rotina de quem precisa conciliar trabalho, família e estudo. As aulas são ministradas por professores especializados e acontecem dentro do próprio shopping, facilitando o acesso dos trabalhadores. Segundo o gerente, o contato presencial também ajuda a manter os alunos motivados.
Benefícios para empresas e funcionários
Para o especialista em recursos humanos Amauhry Zucolaro, programas de educação corporativa são fundamentais para valorizar profissionais e ampliar oportunidades no mercado de trabalho. Ele destaca que muitas empresas passaram a investir na qualificação de colaboradores em vez de exigir escolaridade como barreira de entrada.
“Ao invés de eu demitir um bom profissional, porque ele não tem estudo, eu vou fazer diferente, eu vou qualificar ele dentro da empresa. Então, como os bares, restaurantes, empresas na linha de produção têm adotado esse formato, é muito importante que valorize o profissional, retenha esse profissional dentro da empresa e a empresa acaba ganhando um bom profissional qualificado”, destaca Zucolaro.
Segundo o especialista, a estratégia ajuda a reduzir o déficit de mão de obra qualificada, especialmente em áreas operacionais, além de aumentar o engajamento dos funcionários e melhorar a retenção de talentos.



