Secretaria de Saúde de Ribeirão Preto confirmou segunda morte no ano; vítima morreu dia 22, após passar três vezes pela UPA
A segunda morte por dengue registrada em Ribeirão Preto serve como um alerta sobre a persistente gravidade da epidemia na cidade. Embora os números de casos estejam em declínio, um total de 3.061 ocorrências foram documentadas entre janeiro e junho deste ano.
O Impacto da Dengue na Comunidade
Para quem já enfrentou a dengue e suas complicações, a seriedade do problema é inegável. Daisy Allencar, dona de casa, é um exemplo. Ela contraiu a doença três vezes, sendo a última, no ano anterior, a mais severa. A incidência da dengue é alta em sua residência e arredores. “Eu já tive três vezes. Meu filho já teve duas, minha nora uma, minha filha uma, meu marido uma e minha neta também”, relata.
Daisy compartilha sua experiência mais recente: “Na última vez, tive pneumonia juntamente com a dengue e precisei ficar internada por um mês. Foi muito difícil, pois complicou, e não sei se foi por causa do meu diabetes”. A situação da família de Daisy reflete a presença de focos do mosquito nas proximidades.
Leia também
Focos de Dengue e a Responsabilidade Pública
Uma breve caminhada nas imediações da residência de Daisy revelou diversos materiais que acumulam água, como pneus, copos plásticos e garrafas, descartados em um terreno na rotatória das avenidas Euclides de Figueiredo com a José Benel e no Quintino Facidois. O terreno, de propriedade pública, gera indignação na moradora, que teme contrair a doença novamente. “A prefeitura não limpa. A gente chama porque corta árvore, mas isso fica 15, 20 dias. O povo que é mais humilde também joga lixo. Vivemos em uma situação difícil aqui”, desabafa.
O aposentado Silvio Gueri confirma que o descarte de lixo é frequente no terreno e aponta outros focos de dengue no bairro, inclusive próximo à Unidade Básica Distrital de Saúde. “É entulho, telha, madeira velha. Todo tipo de lixo é jogado aqui”, afirma. Ele próprio já contraiu dengue há quatro anos e teme uma nova infecção.
Ações Municipais e a Busca por Soluções
A limpeza das vias públicas é uma responsabilidade do município, e a nebulização é uma das medidas para combater o mosquito. No entanto, Ribeirão Preto enfrenta um problema: a falta do produto para nebulização, que precisa ser buscado em Barretos. A prefeitura justifica a situação com a construção de um laboratório para a produção do veneno no espaço da Divisão de Vigilância Ambiental em Saúde. Enquanto isso, o município busca o produto em Barretos, fornecido pela SUSEN (Superintendência de Controle de Endemias).
Portanto, a eliminação de criadouros do mosquito continua sendo a principal estratégia para reduzir os casos de dengue na cidade. Os endereços citados na reportagem foram encaminhados à prefeitura para a devida limpeza, por se tratarem de áreas de responsabilidade do município.
A colaboração da população e a agilidade nas ações do poder público são essenciais para mitigar os impactos da dengue e proteger a saúde da comunidade.



