Dolarização da economia do país vizinho também deve influenciar relações comerciais; José Carlos de Lima Júnior analisa
O cenário político na Argentina após a eleição de Javier Milei traz incertezas para a relação comercial entre o Brasil e seu vizinho, especialmente no agronegócio.
Impacto da Nova Presidência Argentina no Agronegócio Brasileiro
A Argentina é um grande produtor de grãos, concorrendo diretamente com o Brasil em exportações, principalmente de soja. A proposta de Milei de eliminar os tributos de exportação do agronegócio argentino pode intensificar essa competição a partir de 2024, caso a promessa seja cumprida. A recuperação da produção argentina, após anos de problemas climáticos, agrava ainda mais esse cenário.
Desafios Econômicos Argentinos e suas Implicações
As promessas de campanha de Milei, como a dolarização da economia e o fim do Banco Central, apresentam desafios significativos. A falta de dólares suficientes na Argentina dificulta a dolarização, e a eliminação do Banco Central afetaria funções cruciais, como a gestão da taxa de juros e a coordenação do sistema financeiro. A inflação galopante (140% ao ano) e a desvalorização do peso argentino também criam um ambiente econômico instável, impactando diretamente os produtores rurais.
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Cenário Futuro e Relações Bilaterais
Apesar das declarações de Milei sobre rompimento de relações com países considerados comunistas, incluindo o Brasil e a China, a dependência comercial da Argentina com ambos os países torna esse cenário improvável. A indústria automobilística, por exemplo, ilustra a forte interdependência entre os dois países. A situação climática também é um fator relevante, com as recentes chuvas no sul do Brasil e na Argentina impactando a produção agrícola e adicionando mais complexidade ao cenário econômico já desafiador.