Segunda fase foi realizada durante março e prendeu temporariamente oito pessoas, que foram ouvidas pela Polícia Civil
A Operação Alba Branca, que investiga o superfaturamento em itens da merenda escolar e suco de caixinha distribuídos em 22 cidades, completou três meses, revelando um esquema complexo envolvendo servidores públicos, políticos e lobistas. As investigações apontam para ramificações em cinco estados, indicando uma organização criminosa bem estruturada.
A Extensão do Esquema e o Pagamento de Propina
O promotor Leonardo Romanelli destacou a amplitude das atividades do grupo, que se estendem por Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro e Mato Grosso. A suspeita é de que funcionários públicos e agentes políticos estejam envolvidos em grande parte das fraudes nas 22 cidades investigadas. Há convicção de que houve pagamento de propina, além de fraudes em licitações em mais de dez municípios de São Paulo, com o uso indevido de documentos de pequenos agricultores.
Nomes Envolvidos e a Negativa das Acusações
Em São Paulo, o presidente da Assembleia Legislativa, Fernando Capêz (PSDB), e o ex-chefe de gabinete da Casa Civil, Luís Roberto dos Santos (conhecido como Moita), foram apontados como lobistas no esquema. Ambos negam as acusações e qualquer ligação com a cooperativa investigada. A próxima fase da operação pode envolver vereadores, mas, por enquanto, nenhum político foi formalmente citado para evitar a perda de provas e possíveis tentativas de fuga.
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Colaboração Premiada e o Futuro da Investigação
Até o momento, apenas três pessoas – o ex-presidente, o ex-vice-presidente da Coaf e Marcelo Júlio – firmaram acordos de colaboração premiada. Esses acordos são considerados vitais para o aprofundamento das investigações e já fornecem elementos de prova que podem levar a agentes dentro dos órgãos públicos. As outras 11 pessoas que não colaboraram também forneceram informações relevantes, e nenhuma delas negou a existência do esquema. A investigação continua, e todos os envolvidos estão sujeitos a medidas adicionais.
O Modus Operandi e o Arquivamento de Denúncias
O grupo revendia produtos comprados em grandes varejões como se fossem produzidos por pequenos agricultores, vendendo-os às prefeituras com preços até 30% acima do mercado. Ex-secretários de Arte Nogueira – da Logística e Transporte e da Educação – e o ex-chefe de gabinete da Secretaria da Educação foram citados como receptores de propina, mas a Corregedoria Geral de São Paulo arquivou a investigação contra eles por falta de provas.
A Coaf agia desde 2011 em contratos fraudulentos, desviando R$ 2,5 milhões. Após a delação de Marcelo Júlio, seu pai deve ser chamado a depor novamente. A próxima fase da Operação Alba Branca está prevista para ser divulgada em breve.
As informações são de Liz Canelo, para a CBN Ribeirão.


