Médico pediatra Ivan Savioli Ferraz analisa proposta e explica as diferenças entre os tipos de vacinação; ouça o ‘Filhos e Cia’
Mudanças na vacinação contra poliomielite estão sendo estudadas pelo Ministério da Saúde do Brasil. Atualmente, são utilizadas duas vacinas: a injetável (inativada, também conhecida como vacina Salk) e a oral (atenuada, ou vacina Sabin). A principal diferença reside no tipo de vírus utilizado: a vacina injetável contém vírus mortos, enquanto a oral contém vírus vivos, porém enfraquecidos.
Diferenças entre as vacinas
A vacina injetável (Salk) contém os três sorotipos de vírus da poliomielite, enquanto a vacina oral (Sabin) contém apenas dois, pois o sorotipo 2 foi erradicado em 2015. Embora a vacina oral produza mais anticorpos, ambas são eficazes na prevenção da doença. A escolha por uma ou outra não implica em uma ser superior à outra em termos de proteção.
Motivos para a mudança proposta
Apesar da eficácia da vacina oral, o Ministério da Saúde considera a transição para a vacinação exclusivamente injetável. Isso se deve à possibilidade, ainda que extremamente rara, de o vírus atenuado da vacina oral recuperar sua virulência em populações com baixa cobertura vacinal, levando a novos casos de poliomielite. Em 2022, casos foram registrados em países como os Estados Unidos e Israel, mostrando esse risco, mesmo que pequeno. A vacina inativada elimina essa possibilidade, já que o vírus está morto.
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Cobertura vacinal e segurança
A baixa cobertura vacinal no Brasil (72% em 2022, enquanto o ideal é acima de 95%) também motiva a mudança. A transição para a vacina injetável visa aumentar a segurança, minimizando o risco, ainda que remoto, associado à vacina oral em cenários de baixa imunização. A vacinação oral, apesar de seus riscos mínimos, foi crucial para a erradicação de dois sorotipos do vírus e continua sendo uma ferramenta importante na luta contra a poliomielite. Países desenvolvidos já utilizam apenas a vacina inativada em seus esquemas de imunização.