Para justificar a não compra da carne brasileira, o CEO da rede francesa criticou a produção da proteína na América do Sul
O CEO do Carrefour na França declarou que a empresa não comprará mais carne da América Latina, Protecionismo ao produtor francês ‘queima o, incluindo a América do Sul, gerando polêmica no Brasil. José Carlos de Lima Júnior, especialista em agronegócio, comentou que essa declaração não foi isolada, mas se soma a posicionamentos anteriores de outras empresas, como Danone e Terios. Segundo ele, esses pronunciamentos refletem uma tentativa de alinhamento político com produtores franceses diante da iminente assinatura de um acordo bilateral entre o Mercosul e a União Europeia.
Esse acordo prevê a isenção de impostos para a comercialização de produtos agropecuários entre os dois blocos, Protecionismo ao produtor francês ‘queima o, o que aumentaria a competitividade dos países sul-americanos, especialmente do Brasil, em relação à França e outros países europeus. José Carlos afirmou que a decisão do CEO do Carrefour foi uma medida política local para agradar produtores franceses, mas que prejudica a empresa globalmente, já que o Brasil é o segundo maior mercado em faturamento para o Carrefour, atrás apenas da França. Após o anúncio, as ações do Carrefour caíram na bolsa de valores.
Impactos no mercado e imagem: Embora as exportações brasileiras de carne para a França representem um volume pequeno, a repercussão negativa afetou a imagem do Brasil e a confiança na qualidade da carne produzida no país. O especialista destacou que a declaração do CEO colocou em dúvida todo o processo produtivo brasileiro, o que gerou reações contrárias e boicotes no Brasil. Posteriormente, o CEO tentou minimizar a fala, alegando ter sido mal interpretado, o que não convenceu o público brasileiro.
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Protecionismo e desabastecimento: José Carlos ressaltou que a postura do Carrefour e a reação dos produtores franceses refletem um movimento protecionista crescente na Europa, que pode levar a fragmentações de mercado e aumento da inflação dos alimentos. A França, que depende da importação de alimentos para abastecer sua população, pode enfrentar desabastecimento e aumento de preços caso a oferta de carne diminua devido ao boicote. Essa situação pode afetar tanto o mercado brasileiro quanto o europeu.
Desconhecimento sobre produção brasileira
O especialista explicou que as críticas dos produtores franceses baseiam-se em um desconhecimento sobre os métodos de produção no Brasil. O país possui legislações rigorosas, como a obrigatoriedade de manter no mínimo 20% de reserva legal dentro das propriedades rurais, chegando a 80% em algumas regiões. Segundo ele, as acusações de desmatamento total são falsas e preconceituosas, já que o Brasil tem uma das legislações ambientais mais rígidas do mundo, apesar de falhas pontuais, como em qualquer país.
Perspectivas futuras: Quanto ao desfecho da polêmica, José Carlos informou que o CEO global do Carrefour enviou uma carta pedindo desculpas, e as empresas fornecedoras locais devem retomar o fornecimento de carne para as unidades brasileiras do Carrefour. A assinatura do acordo bilateral entre Mercosul e União Europeia está prevista para o início de dezembro, mas ele acredita que a pressão dos produtores europeus pode continuar, indicando que o conflito pode persistir.
Entenda melhor
O acordo entre Mercosul e União Europeia visa facilitar o comércio agropecuário com redução de tarifas, aumentando a competitividade dos produtos sul-americanos no mercado europeu. No entanto, questões políticas e protecionistas podem dificultar a implementação e gerar conflitos comerciais, como o ocorrido com o Carrefour.