Quem fala dos produtos que consumimos diariamente e seus impactos na saúde é o cardiologista Fernando Nobre
Pesquisadores realizaram uma revisão de estudos publicados entre 1970 e 2023 para avaliar os efeitos das carnes vegetais na saúde cardiovascular. A análise considerou o conteúdo nutricional desses produtos, Proteínas, vegetais, açúcares, farináceos… vilões ou heróis na dieta?, seus perfis associados e o impacto nos fatores de risco para doenças cardiovasculares, como níveis de colesterol e pressão arterial.
Perfil nutricional das carnes vegetais
Os resultados indicaram que, em comparação com a carne animal, os produtos à base de vegetais apresentam menor quantidade de calorias, gordura saturada, colesterol e gordura monoinsaturada. Por outro lado, possuem maior teor de fibras, carboidratos, gorduras poli-insaturadas e sódio.
Impactos nos fatores de risco cardiovascular: Estudos controlados mostraram que o consumo de carnes vegetais está associado à redução dos níveis de colesterol total e LDL, conhecido como colesterol ruim, que contribui para a aterosclerose. Além disso, houve diminuição no peso corporal e na circunferência abdominal dos participantes. Apesar do elevado teor de sódio em alguns desses produtos, não foram encontrados indícios de aumento da pressão arterial.
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Limitações e lacunas nas pesquisas: Os pesquisadores destacaram que não há evidências atuais que indiquem que aspectos preocupantes das carnes vegetais, como o grau de processamento e o alto teor de sódio, anulem os potenciais benefícios cardiovasculares. Entretanto, não existem estudos de longo prazo que avaliem o impacto dessas alternativas no risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Além disso, há escassez de pesquisas sobre a segurança e os efeitos de componentes comuns em produtos à base de carne vegetal, como o glúten. Para esclarecer essas questões, seriam necessários grandes ensaios clínicos com muitos participantes, que demandam custos elevados.
Desafios para a realização de estudos clínicos
Segundo o cardiologista Fernando Nobre, as empresas farmacêuticas têm estrutura para realizar ensaios clínicos extensos, pois precisam apresentar resultados para aprovação de medicamentos. Já as empresas produtoras de carnes vegetais provavelmente não dispõem de recursos para conduzir estudos clínicos baseados em desfechos relacionados à saúde da população.
Esses estudos deveriam ser conduzidos por instituições independentes, como o National Institute on Aging (NIA) nos Estados Unidos e o National Research Council no Canadá.
Motivações para o consumo e substituição da carne animal: O cardiologista também ressaltou que existem diversas razões para evitar o consumo de carne animal, incluindo questões éticas relacionadas ao abate de animais e preocupações ambientais, como o impacto da produção de carne no aquecimento global.
Do ponto de vista da saúde pessoal, os produtos à base de vegetais podem ser uma alternativa para quem aprecia o sabor da carne, mas deseja reduzir seu consumo. Esses substitutos possibilitam uma alimentação diversificada e podem contribuir para a redução do risco de doenças cardiovasculares.
Considerações finais: O médico David Spencer, professor emérito de Neurologia e Farmacologia Clínica da University of Western Ontario, no Canadá, reforça que a substituição da carne animal por alternativas vegetais é uma estratégia válida para redução do risco de doenças e mortalidade.
Ele destaca ainda a importância do equilíbrio, citando o princípio aristotélico de que a moderação é fundamental para a saúde.
Entenda melhor
As carnes vegetais são produtos processados que buscam replicar o sabor e a textura da carne animal, utilizando ingredientes como proteínas de soja, ervilha e glúten. Embora apresentem vantagens nutricionais, como menor teor de gordura saturada e colesterol, o alto teor de sódio e o grau de processamento ainda são pontos que necessitam de mais estudos para avaliação dos impactos a longo prazo.