Quem explica é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’
A meta-linguagem, tema central da discussão, refere-se à linguagem que descreve a si mesma, utilizando seu próprio código para se explicar. Aplica-se tanto à linguagem verbal quanto à não verbal, ou seja, quando a linguagem fala sobre si mesma.
Exemplos cotidianos de meta-linguagem
Um exemplo comum é a propaganda em um auditório que diz “Sua marca aqui” ou “Anuncie aqui”. A propaganda está utilizando o próprio espaço para anunciar a disponibilidade desse espaço para outras propagandas, tornando-se um exemplo claro de meta-linguagem. Outro exemplo é a música “Samba de uma nota só”, de Tom Jobim, que descreve a própria composição.
Meta-linguagem na arte e na literatura
A meta-linguagem também se manifesta em obras de arte, como a pintura “As Meninas”, de Diego Velázquez, onde o próprio pintor está retratado na tela. Na literatura, a obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, serve como um exemplo notável. Este livro, escrito pouco antes da morte da autora, narra a história de Macabéa e é narrado por Rodrigo S.M., que reflete constantemente sobre o processo de escrita, a escolha de palavras e a construção do texto, tornando-o um exemplo clássico de meta-linguagem.
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Clarice Lispector: uma refugiada ucraniana que marcou a literatura brasileira
A discussão sobre meta-linguagem se conecta à vida de Clarice Lispector, uma escritora ucraniana que se tornou um ícone da literatura brasileira. Nascida na Ucrânia, ela veio para o Brasil ainda bebê com sua família, que fugia da Revolução Bolchevique. Sua experiência como refugiada e sua trajetória de vida contribuem para a riqueza e complexidade de sua obra, que deixou um legado significativo para a cultura brasileira.