Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’ com Danielle Zeoti
A saúde mental está intrinsecamente ligada à qualidade dos nossos relacionamentos, e as amizades desempenham um papel fundamental nesse contexto. Pacientes psiquiátricos, segundo estudos, demonstram maior satisfação em atividades realizadas com amigos e anseiam por maior contato nesses momentos. A solidão, muitas vezes associada a problemas de saúde mental, pode ser atenuada por laços de amizade fortes e duradouros.
Amizades e bem-estar: um elo essencial
Manter amizades, especialmente para aqueles que lidam com transtornos mentais, pode ser um desafio. A avaliação da qualidade de vida de um paciente inclui, inclusive, a análise de suas relações sociais. A psicóloga Daniela Zeotti destaca a diferença entre amizades virtuais e presenciais, enfatizando a importância do contato humano real para a melhora da qualidade de vida. Encontros presenciais, conversas, risadas e momentos de apoio mútuo são insubstituíveis. A integração social proporcionada pelas amizades combate o isolamento, um sintoma comum em vários transtornos mentais.
O poder da identificação e a atração pelos opostos
A identificação com amigos que compartilham gostos e experiências semelhantes é comum. No entanto, a atração por pessoas diferentes também é significativa. A psicóloga explica essa atração pela “falta”, conceito da psicanálise que sugere que nos aproximamos de pessoas que complementam o que nos falta. Demonstrar vulnerabilidade, expressar nossas necessidades e reconhecer a importância dos amigos na nossa vida são atos de coragem que fortalecem os laços e promovem o crescimento pessoal. A diversidade em grupos de amigos amplia nossos horizontes e nos desafia a questionar nossas próprias perspectivas.
Leia também
Amizade, colegas e a construção da identidade
A distinção entre amigos e colegas é importante. Na adolescência, a identificação com o grupo de pares é intensa, e a busca por aceitação pode levar à imitação de comportamentos e estilos. Essa imitação é considerada normal na fase de construção da identidade, mas se persistir na idade adulta, pode indicar um problema que requer atenção profissional. A especialista alerta para a importância da observação de mudanças abruptas de comportamento em amigos, que podem ser sinais de transtornos mentais. A escuta, o acolhimento e o apoio mútuo são essenciais nesses momentos, e a amizade se revela como um instrumento valioso para a saúde mental.
Em resumo, cultivar amizades genuínas é fundamental para o bem-estar e a saúde mental. A capacidade de se conectar com os outros, compartilhar experiências e oferecer apoio mútuo contribui significativamente para uma vida mais plena e equilibrada. A busca por conexões autênticas e o cuidado com os relacionamentos são investimentos valiosos em nossa qualidade de vida.