Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’ com Danielle Zeoti
A Sociedade Brasileira de Pediatria divulgou nota favorável à reabertura das escolas, alertando para os impactos negativos no desenvolvimento infantil, especialmente no que diz respeito à saúde mental. Em entrevista à CBN, a psicóloga Daniela Zeote discute a depressão infantil e a influência do contexto escolar nesse problema.
Depressão Infantil: Incidência e Subnotificação
A incidência de depressão em crianças e adolescentes é estimada entre 1% e 3% da população mundial, mas acredita-se que haja subnotificação e subdiagnóstico. O diagnóstico é delicado, muitas vezes confundido com outros transtornos, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). A falta de crença na existência da depressão infantil também contribui para a subnotificação.
A Importância do Contexto Escolar
O fechamento das escolas durante a pandemia teve um impacto significativo na saúde mental das crianças e adolescentes. A escola não é apenas um local de aprendizado acadêmico, mas também um espaço crucial de socialização e desenvolvimento emocional. A privação do contato presencial com professores e colegas afetou o humor das crianças, levando a irritabilidade, ansiedade e, em casos mais graves, depressão. O vínculo forte entre alunos e professores, muitas vezes comparado à relação com a própria família, demonstra a importância do ambiente escolar para o bem-estar infantil.
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Identificando Sinais de Depressão Infantil
É importante destacar que a depressão infantil não se manifesta da mesma forma que em adultos. Em vez de tristeza e apatia, crianças e adolescentes podem apresentar irritabilidade, agressividade, problemas de sono e apetite, baixo rendimento escolar e perda de interesse em atividades antes prazerosas. A observação cuidadosa do comportamento da criança, aliada à conversa com amigos e familiares, é fundamental para identificar sinais de depressão. Quando a criança apresenta tristeza e apatia intensas, o quadro já pode ser considerado grave.
A reabertura das escolas, com medidas sanitárias adequadas, é fundamental para minimizar os impactos negativos na saúde mental das crianças e adolescentes. A atenção à saúde mental infantil deve ser prioridade, com diagnóstico precoce e tratamento adequado para garantir o desenvolvimento pleno dessas crianças.