Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
As doenças cardíacas representam uma grave ameaça à saúde no Brasil, sendo responsáveis por mais de 300 mil mortes anuais, o que equivale a aproximadamente 820 óbitos diários. Uma parcela significativa dessas ocorrências afeta indivíduos na faixa etária de 30 a 60 anos, um período crucial de produtividade. Fatores como hipertensão, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo, tabagismo e diabetes são apontados como os principais contribuintes para esse cenário.
A Equiparação dos Riscos entre Homens e Mulheres
Há algumas décadas, as mulheres gozavam de uma certa proteção contra os fatores de risco associados às doenças cardíacas, em grande parte devido ao seu estilo de vida. No entanto, com o acesso ao mercado de trabalho e a consequente exposição aos mesmos fatores de risco que os homens, essa disparidade diminuiu. Atualmente, as mulheres apresentam uma probabilidade semelhante de desenvolver doenças cardiovasculares.
Disparidades no Tratamento Cardíaco
Um estudo conduzido por uma seguradora nos Estados Unidos, que analisou os cuidados de saúde de mais de 2 mil mulheres sob a perspectiva das doenças cardíacas, revelou que elas recebem tratamentos menos agressivos em comparação com os homens. A pesquisa indicou que as mulheres foram submetidas a angioplastias (procedimento para dilatar artérias coronárias obstruídas) 27% menos vezes que os homens. Além disso, as indicações para cirurgias cardíacas foram 38% menores para as mulheres, em comparação com os pacientes do sexo masculino.
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A Conscientização como Ferramenta de Prevenção
A Dra. Marla Mendelssohn, de Chicago, enfatiza que as doenças cardíacas são a principal causa de mortalidade entre as mulheres, superando o impacto de todos os tipos de câncer. Nos Estados Unidos, mais de 400 mil mulheres faleceram em decorrência de doenças cardíacas em 2013, e desde 1984, o número de mortes por doenças cardíacas entre mulheres supera o de homens. Apesar dos esforços para aumentar a conscientização sobre essa questão, um estudo do Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos revelou que apenas 54% das mulheres estão cientes de que morrem mais por doenças cardíacas do que por outras causas.
Os fatores de risco para doenças cardíacas nas mulheres brasileiras são semelhantes aos observados nos homens. Pesquisas recentes do Ministério da Saúde indicam que o colesterol elevado é mais prevalente em mulheres do que em homens. Além disso, as mulheres são tão fisicamente inativas quanto os homens, consomem mais sal e fumam em proporções semelhantes.
As doenças cardíacas afetam homens e mulheres de forma igualitária, exigindo atenção especial, cuidados médicos, um estilo de vida saudável e, acima de tudo, prevenção.