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Quais as perspectivas da economia com a manutenção da taxa de juros?

Ouça a coluna 'CBN Economia', com Nelson Rocha Augusto
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central surpreendeu o mercado ao manter a taxa Selic em 14,25% pela quarta vez consecutiva. A decisão, tomada por 6 votos a 2, contrariou as expectativas da maioria dos analistas, que previam um aumento de pelo menos 0,5 ponto percentual. Essa medida gerou debates acalorados e levanta questões sobre a estratégia do Banco Central no combate à inflação e seus impactos na economia brasileira.

A Inflação Persistente e o Dilema do Banco Central

A principal justificativa para a expectativa de aumento da Selic era a persistência da inflação em patamares elevados. No ano anterior, a inflação ultrapassou os 10,5%, e as projeções para o ano corrente indicavam cerca de 7,5%, um valor ainda acima da meta estabelecida pelo governo. Tradicionalmente, o Banco Central utiliza a taxa de juros como principal ferramenta para controlar a inflação, ancorando as expectativas do mercado. No entanto, a falta de apoio de uma política fiscal consistente, com sucessivos déficits e discussões sobre medidas como as “pedaladas fiscais”, intensificou a pressão sobre a política monetária.

O Peso da Atividade Econômica Deprimida

Apesar das preocupações com a inflação, o Copom considerou o cenário de atividade econômica fraca ao tomar sua decisão. O aumento do desemprego, a dificuldade das famílias em consumir e a retração nos investimentos indicavam que um novo aumento da taxa de juros poderia agravar ainda mais a situação. A manutenção da Selic, portanto, reflete uma tentativa de equilibrar o combate à inflação com a necessidade de evitar um aprofundamento da recessão econômica. A taxa de juros brasileira, já considerada uma das mais altas do mundo em termos reais, impõe um custo elevado à sociedade, tornando essencial a busca por instrumentos adicionais para controlar a inflação.

Cenário Internacional e Impactos Deflacionários

A fragilidade das economias de grandes países, como a China, e a consequente queda nos preços das commodities também influenciaram a decisão do Copom. A insegurança em relação ao crescimento da economia mundial em 2016, expressa em relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI), gerou um ambiente deflacionário global. Essa tendência, por sua vez, pode aliviar a pressão inflacionária no Brasil. A inflação é particularmente cruel por corroer o poder de compra da população de baixa renda, tornando o seu combate uma prioridade social.

A decisão do Copom de manter a Selic inalterada reflete um delicado equilíbrio entre o combate à inflação e a preocupação com a atividade econômica. A conjuntura internacional também desempenhou um papel importante nessa escolha, sinalizando a necessidade de uma abordagem multifacetada para enfrentar os desafios da economia brasileira.

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