Especialista aponta que principal benefício é a engorda mais rápida dos animais; confira os impactos das queimadas na região
O estado de São Paulo enfrentou uma das piores crises de queimadas de sua história em atrássto de 2024, Quais as vantagens de confinar um grande número de gado em espaços pequenos?, com 3.482 focos registrados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), número quase dez vezes superior ao mesmo período do ano anterior, considerado o pior atrássto desde o início das medições em 1998. O impacto foi sentido principalmente no interior paulista, onde grandes áreas de plantações e pastagens foram destruídas, causando prejuízos econômicos e ambientais significativos.
Impactos nas plantações e na indústria sucroalcooleira
As queimadas atingiram principalmente as plantações de cana-de-açúcar, com mais de 80 mil hectares afetados. A Organização das Associações de Produtores de Cana do Brasil (Orplana) estima prejuízos superiores a 500 milhões de reais. As usinas São Martinho e Raízen, duas das maiores do país, relataram perdas expressivas: a São Martinho prevê moer 110 mil toneladas a menos de cana, enquanto a Raízen estima uma redução de 1,8 milhão de toneladas em sua produção.
Além da perda imediata da safra, o fogo comprometeu a soqueira, parte da planta que brota para a próxima colheita, o que pode afetar a produção do ano seguinte. Segundo o consultor José Carlos de Lima Júnior, o calor intenso prejudica micro-organismos do solo e a capacidade de rebrota da cana, causando falhas e perdas significativas na produção futura.
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Prejuízos em centros de pesquisa e propriedades rurais: O fogo também destruiu áreas de pesquisa importantes, como o Centro de Cana do Instituto Agronômico em Ribeirão Preto, onde 80% do canavial foram queimados, comprometendo décadas de estudos sobre melhoramento genético, manejo de pragas e solo. No Instituto de Zootecnia em Sertãozinho, pastagens e alojamentos de pesquisadores foram devastados, embora sem ferimentos aos animais.
Pequenos e médios produtores rurais sofreram perdas irreparáveis, incluindo a morte de animais, destruição de casas, cercas e maquinários. Em Pradópolis, mais de 200 animais morreram e parte de um assentamento com 360 famílias foi atingida. Em Boa Esperança do Sul, o fogo consumiu cerca de 30 animais em um sítio. O governo do estado anunciou um pacote de ajuda com financiamento de 50 mil reais a juros zero para os produtores afetados, enquanto o governo federal ainda não divulgou medidas semelhantes.
Confinamento de gado e práticas sustentáveis na pecuária
Em meio ao cenário de incêndios, o setor pecuário brasileiro tem buscado intensificar a produção por meio do confinamento, prática que permite a engorda mais rápida dos bovinos e entrega de animais mais jovens, conforme explica a zootecnista Jaíne Costa. Atualmente, o Brasil possui cerca de 5,7 milhões de cabeças confinadas, representando 15% do total de bois em fase de terminação.
Na Fazenda de Colina, São Paulo, o confinamento permite que o peso dos animais quase dobre em 90 dias, com ganho de 13 para 21 arrobas. A fazenda adota técnicas sustentáveis, como o reaproveitamento do dejeto do gado para fertilização e irrigação das plantações de cana, além do uso de subprodutos da agroindústria, como bagaço de cana, polpa cítrica e melaço de soja na alimentação dos animais, reduzindo custos e impactos ambientais.
Condições climáticas e perspectivas para o agronegócio: O agravamento das queimadas está associado a condições climáticas excepcionais. A primavera e o verão de 2023/2024 foram marcados pela influência do fenômeno El Niño, que antecipou o fim das chuvas, seguido pela La Niña, que atrasou o retorno das precipitações no segundo semestre. Como resultado, o estado enfrenta um período prolongado de seca, com temperaturas acima da média e baixa umidade do ar, fatores que aumentam a evaporação do solo e favorecem o surgimento e a propagação de incêndios.
Segundo o meteorologista Marco Antonio dos Santos, as chuvas só devem se regularizar a partir da segunda quinzena de outubro, o que mantém a região em alerta até lá. A ausência de precipitações e o calor intenso dificultam o controle dos focos de incêndio e impactam diretamente o planejamento agrícola, especialmente o plantio das próximas safras.
Panorama
O cenário atual evidencia a vulnerabilidade do agronegócio paulista e brasileiro diante das mudanças climáticas e dos eventos extremos. As perdas econômicas, ambientais e sociais são expressivas e exigem ações integradas para mitigação e adaptação, incluindo o fortalecimento da pesquisa, o apoio aos produtores rurais, especialmente os pequenos, e a adoção de práticas sustentáveis na produção agropecuária. A expectativa por chuvas regulares no final do ano traz esperança para a recuperação das áreas afetadas e para o planejamento das próximas safras.