Benedito da Fonseca, infectologista da USP Ribeirão, destaca preocupação com a introdução de novo sorotipo da doença na região
O aumento dos casos de dengue na região de Ribeirão Preto, Quais fatores podem estar impulsionando os, especialmente fora do período esperado, tem gerado preocupação entre especialistas. Segundo o professor Benedito Lopes da Fonseca, médico do departamento de virologia da USP de Ribeirão Preto, a partir de janeiro os casos de dengue começam a crescer, contrariando a expectativa de desaceleração nesse período.
Circulação do sorotipo 3: O especialista destacou a possível introdução do sorotipo 3 do vírus da dengue na região, que não circula em Ribeirão Preto há mais de 15 anos. A população está suscetível, incluindo pessoas que já foram infectadas por outros sorotipos. A reinfecção por um sorotipo diferente pode levar a formas mais graves da doença em alguns casos.
Características dos sorotipos: Existem quatro sorotipos do vírus da dengue (1, 2, 3 e 4). A infecção por um deles confere imunidade permanente apenas contra o mesmo sorotipo, permanecendo o indivíduo suscetível aos demais. Além disso, a infecção secundária por um sorotipo diferente pode aumentar o risco de dengue grave, especialmente dentro de um período de 2 a 3 anos após a primeira infecção.
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Medidas de controle e vigilância: As cidades adotam protocolos variados para o controle do mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue, incluindo mapeamento e uso de armadilhas para identificar áreas com maior infestação. No estado de São Paulo, o Programa Centinela realiza a detecção dos sorotipos circulantes por meio de amostras enviadas a laboratórios especializados, o que é importante para prever o risco de casos graves.
Situação atual em Ribeirão Preto
O sorotipo 3 já foi detectado em regiões próximas e possivelmente em Ribeirão Preto, embora o sorotipo 2 ainda seja predominante. Em 2023, houve aumento no número de óbitos, possivelmente relacionado à infecção por sorotipos diferentes em pessoas previamente infectadas. A população jovem e adulta pode estar suscetível ao sorotipo 3, o que aumenta o risco de epidemias.
Informações adicionais
O professor Benedito Lopes da Fonseca reforça a importância da vacinação contra a dengue para crianças entre 10 e 14 anos, faixa etária com maior risco de hospitalização. A imunização ajuda a prevenir casos graves e reduz a transmissão dentro das residências, protegendo toda a comunidade. Enquanto uma vacina eficaz para todas as faixas etárias não estiver disponível, o controle do vetor permanece a principal estratégia para combater a doença.



