Cientista político tenta decifrar o início conturbado de semana em Brasília, com a tentativa de interromper o impeachment
Em Brasília, a ordem cronológica dos fatos e a hierarquia parecem ter se perdido, ou, no mínimo, deixado de ser respeitadas. A recente anulação da votação do impeachment na Câmara dos Deputados, um evento que mobilizou mais de 500 parlamentares, por decisão monocrática do então presidente da Casa, Valdir Maranhão, é um exemplo gritante dessa desordem.
Um ‘Balão de Ensaio’ para Tumultuar o Processo
O cientista político Gilberto Musto critica a ação de Maranhão, classificando-a como um mero “balão de ensaio” com o objetivo de tumultuar o processo de impeachment da presidente afastada. Segundo Musto, a decisão, embora possa ter algum embasamento jurídico, carece de força diante da natureza política do processo. A votação já havia ocorrido, com a constatação dos votos favoráveis e contrários, encaminhando o processo ao Senado.
A Tentativa Frustrada de Ganhar Tempo
Musto avalia a decisão do presidente da Câmara como uma tentativa frustrada de ganhar tempo. No entanto, ele argumenta que essa manobra apenas agrava a insegurança política e econômica do país. A instabilidade causada por tais atos impacta negativamente os setores econômicos, que necessitam de um ambiente de segurança para prosperar. As tentativas de negociação da presidente afastada, como os chamados “pacotes de maldades”, também são vistas com ceticismo, pois a percepção é de que a administração do vice-presidente já está sendo dividida, sem trazer benefícios reais para o país.
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O Senado Ignora a Manobra e Segue o Processo
Apesar da tentativa de interrupção do processo de impeachment por parte de Valdir Maranhão, o Senado ignorou o pedido e seguiu com o cronograma previsto, marcando a votação para a semana seguinte. Para Musto, essa tentativa, mesmo que mal arquitetada, deixa mais uma mancha na história da política brasileira.
Em um cenário de incertezas, a busca por estabilidade e segurança jurídica torna-se fundamental para a retomada do crescimento econômico e a restauração da confiança na política nacional.



