Nelson Rocha Augusto destaca que demora na elaboração de uma política de redução se deve à complexidade do cenário atual
O economista Nelson Rocha analisou os impactos da ausência de uma política efetiva de corte de gastos pelo governo brasileiro, Quais os danos que a falta, destacando que o principal problema é o aumento da inflação no curto prazo. Segundo ele, a demora do governo em reconhecer a necessidade de cortes e em negociar politicamente com o Congresso, ministérios e outros setores da sociedade tem agravado a situação econômica.
Rocha explicou que o crescimento acelerado da economia tem sido impulsionado por um gasto público elevado, e a tentativa de reduzir esses gastos gera resistência, especialmente de grupos como os militares e funcionários públicos, que possuem benefícios considerados acima da média internacional. Essa demora contribuiu para a deterioração das expectativas econômicas, valorização do dólar e aceleração da inflação nas últimas semanas.
Ele ressaltou que o Banco Central e o mercado financeiro já reagiram a esse cenário com aumento significativo da taxa de juros futura, que subiu mais de 35% em relação a três ou quatro meses atrás, ultrapassando 13% e podendo chegar a 14%. Esse aumento deve desacelerar a economia e restringir o crédito.
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Negociações e desafios para o corte de gastos
O economista destacou que, após a apresentação do pacote de medidas, ainda é necessário negociar e aprovar os cortes no Congresso, o que pode ser um processo complexo e demorado. Ele mencionou que o ministro da Casa Civil, Rui Costa, informou que o pacote está praticamente pronto e pode ser anunciado em breve, possivelmente na próxima semana.
Impactos esperados dos cortes: Para o próximo ano, Nelson Rocha estimou que o corte necessário seria da ordem de 25 a 30 bilhões de reais, e cerca de 40 bilhões para o ano seguinte, totalizando aproximadamente 70 bilhões em dois anos. Mesmo que o valor final seja inferior, algo em torno de 55 a 60 bilhões já representaria uma direção correta para reduzir a taxa de juros, aliviar o câmbio e conter a inflação.
Acordos entre Brasil e China no G20: Durante a reunião do G20 realizada no Brasil, foram assinados acordos de cooperação entre Brasil e China, considerados um aspecto positivo para a economia brasileira. A China, principal parceiro comercial do Brasil, comprou mais de 100 bilhões de dólares em produtos brasileiros no ano anterior e deve aumentar esse valor para cerca de 110 bilhões neste ano.
Os acordos abrangem áreas como energia limpa, comércio exterior, investimentos diretos chineses no Brasil e cooperação tecnológica e científica. Essa aproximação foi reforçada após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, intensificando a disputa comercial entre China e EUA e levando a China a buscar fortalecer laços com o Brasil.
Entenda melhor
O aumento da taxa de juros futura e a valorização do dólar são reações do mercado às incertezas em torno dos cortes de gastos e à conjuntura internacional. A assinatura de acordos com a China representa uma estratégia do Brasil para diversificar parcerias comerciais diante das tensões globais.