Nelson Rocha Augusto analisa o cenário e projeta um leve aumento na soja, café e carne nos próximos meses
Nesta quinta-feira, o programa CBN Economia discutiu a desaceleração dos preços de commodities e suas implicações para a economia brasileira. Com a participação de Nelson Rocha e Augusto, a conversa abordou a queda dos preços desde março, impactando positivamente a inflação com deflação no varejo e atacado.
Desaceleração Econômica Global e Commodities
Apesar da queda inicial, a desaceleração econômica nos EUA e na China tem sido menor que o esperado, levando a uma recuperação nos preços de commodities como minério de ferro (atingindo US$ 120 a tonelada) e petróleo (ultrapassando US$ 90 o barril). Essa recuperação impacta diretamente a Petrobras, que pode precisar ajustar os preços de combustíveis novamente. Embora algumas commodities de alimentos, como o açúcar, permaneçam caras devido a problemas de safra, a expectativa é de aumento gradual nos preços de soja, café e boi nos próximos meses, embora o varejo possa demorar a sentir esse impacto.
Inflação e Taxa de Juros
A previsão para a inflação em 2024 é de um aumento leve em relação à queda significativa deste ano, com estimativas em torno de 4% para o IPCA. Esse cenário pode limitar o espaço para redução da taxa de juros pelo Banco Central, mesmo com cortes previstos na reunião de setembro. A alta dos preços de commodities, embora possa pressionar a inflação, também beneficia o Brasil como grande exportador, aumentando as receitas em dólares e fortalecendo a moeda nacional.
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Impacto no Mercado de Carnes
A queda recente no preço do boi, influenciada pela redução no custo da alimentação bovina, resultou em preços mais baixos de carne para o consumidor. Embora essa situação seja temporária, com previsão de recuperação de preços em 60 a 90 dias, o consumidor deve se beneficiar de preços mais acessíveis por mais alguns meses. Apesar disso, a carne ainda permanece cara, e a queda de preços representa mais uma estabilização do que uma redução significativa.
Em resumo, a economia brasileira apresenta um cenário estável e positivo, com a expectativa de um último trimestre de 2024 melhor que o previsto. Embora haja desafios, como a pressão inflacionária causada pela recuperação dos preços de commodities, o aumento das exportações e a melhora do mercado de trabalho contribuem para um panorama otimista, com progressos graduais e consistentes.