Daniele Zeoti utiliza o cenário do último sábado (24) para explicar como as crises de ansiedade aguda podem afetar as pessoas
No último sábado, o interior do estado de São Paulo foi tomado por queimadas que provocaram uma intensa fumaça, Quais os motivos e como os sintomas se expressão quando as pessoas tem um ‘ataque de pânico’?, invadindo residências e causando grande apreensão entre a população. O fenômeno chegou a escurecer o dia, gerando medo e reações diversas entre os moradores afetados. Em entrevista à CBN, a psicóloga Daniela Zeotti explicou que, além da preocupação natural diante da situação, algumas pessoas apresentaram respostas emocionais mais graves, como crises de ansiedade aguda ou ataques de pânico.
Reações emocionais diante de situações de risco
Segundo Daniela Zeotti, é esperado e até saudável que as pessoas tenham uma reação emocional diante de uma ameaça real e iminente à vida, como o fogo das queimadas. Essas reações são mecanismos naturais de defesa do organismo, que prepara o corpo para lutar ou fugir do perigo. A psicóloga detalhou que, nesses momentos, o corpo libera hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, que promovem alterações neurológicas, fisiológicas e hormonais para aumentar a capacidade de reação.
Entre os sintomas físicos comuns durante essas crises estão taquicardia (coração acelerado), taquipneia (respiração rápida), palidez, desconforto gastrointestinal, sudorese fria e sensação de morte iminente. Esses sinais são respostas adaptativas que preparam o organismo para agir rapidamente, garantindo maior irrigação sanguínea aos músculos e ao cérebro, essenciais para a tomada de decisões rápidas e para a sobrevivência.
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Aspectos fisiológicos das respostas ao estresse: A psicóloga esclareceu que o aumento da frequência cardíaca tem a função de garantir que os músculos e o cérebro recebam mais sangue, o que é fundamental para a luta ou fuga. A respiração acelerada facilita a troca rápida de oxigênio e gás carbônico, mantendo o corpo preparado para a ação. A palidez ocorre porque o sangue é desviado da pele para os músculos, reduzindo o risco de sangramentos em caso de ferimentos.
O desconforto gastrointestinal é causado pela ação do cortisol, que afeta o trato digestivo durante situações de estresse intenso. Já a sudorese fria ajuda a regular a temperatura corporal, evitando que o aumento da temperatura prejudique a capacidade de reação do indivíduo.
Reações adaptativas e casos que requerem atenção
Embora a maioria das pessoas tenha apresentado reações adaptativas diante das queimadas, houve casos em que a resposta emocional foi exagerada, levando à paralisia e à incapacidade de agir para se proteger. Nesses casos, a psicóloga alerta para a necessidade de acompanhamento profissional, pois a crise de ansiedade aguda pode causar alterações na pressão arterial e comprometer a saúde do indivíduo.
Daniela Zeotti ressaltou que, apesar da intensidade dos sintomas, não há registros de mortes causadas diretamente por crises de ansiedade aguda. No entanto, é fundamental que as pessoas que passaram por essas experiências busquem avaliação psicológica ou psiquiátrica para prevenir o desenvolvimento de transtornos de ansiedade ou outras condições mentais.
Importância da prevenção e do suporte psicológico: A especialista enfatizou que o ser humano possui mecanismos emocionais e físicos para se defender em situações extremas, mas que o controle emocional é essencial para que essas respostas sejam eficazes. O acompanhamento profissional pode ajudar a pessoa a compreender suas reações, desenvolver estratégias de enfrentamento e evitar que episódios futuros se tornem incapacitantes.
Em meio à tragédia das queimadas, que resultaram em perdas materiais e animais, a comoção geral e o medo foram compreensíveis e indicam a importância da solidariedade e do suporte comunitário. A psicóloga finalizou desejando que as condições de ar melhorem para que a população possa respirar com segurança e tranquilidade.
Entenda melhor
- Crise de ansiedade aguda: episódio súbito de medo intenso que pode incluir sintomas físicos como taquicardia, sudorese, falta de ar e sensação de morte iminente.
- Hormônios do estresse: adrenalina e cortisol são liberados para preparar o corpo para uma resposta rápida diante de ameaças.
- Reações fisiológicas: incluem aumento do ritmo cardíaco, respiração acelerada, palidez e sudorese fria, que são mecanismos adaptativos para a sobrevivência.
- Importância do suporte: pessoas que apresentam reações exacerbadas devem buscar acompanhamento psicológico para prevenir transtornos mentais.