Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
A economia dos Estados Unidos tem demonstrado um crescimento moderado desde maio, um ritmo que reflete tanto as pressões inflacionárias quanto uma certa retração nos gastos dos consumidores. Essa avaliação é proveniente do Livro Bege do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, um relatório que oferece um panorama detalhado da atividade econômica no país.
Crescimento Modesto e o Dólar
Segundo Nelson Rocha Augusto, a análise aponta para uma recuperação ainda pequena, que pode ser classificada como moderada a fraca. Embora os Estados Unidos apresentem melhorias consistentes no nível de emprego e investimento, com um crescimento do PIB estimado em pouco acima de 2% para este ano e uma projeção de 2,5% para o próximo, o relatório do Fed revela que esse crescimento não tem gerado grande impacto nos preços, indicando uma expansão mais contida em alguns setores, especialmente na indústria.
Essa modéstia no setor industrial pode ser atribuída, em parte, à recente desvalorização do dólar em relação a outras moedas, incluindo o real. A valorização do real frente ao dólar, que já alcançou cerca de 20% neste ano, impacta a competitividade da indústria americana.
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Implicações para a Política Monetária
O relatório do Fed sugere que a recuperação econômica não indica uma aceleração dos preços, o que diminui a probabilidade de um aumento das taxas de juros nos Estados Unidos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. No entanto, ainda existe a possibilidade de um aumento em dezembro, a última reunião do ano, com o objetivo de retornar gradualmente as taxas de juros a um padrão histórico.
Cenário Internacional Favorável
Apesar do ritmo lento da economia, uma notícia positiva é a ausência de inflação nos Estados Unidos, na Europa e no Japão. Esse cenário é benéfico para o Brasil, que busca reduzir a inflação interna. A estabilidade dos preços no ambiente internacional contribui para melhorar as perspectivas de recuperação econômica brasileira, sem o problema da inflação.
Em um contexto global de abundância de liquidez, com dinheiro barato e sem inflação, o Brasil pode se beneficiar para impulsionar sua recuperação econômica.
As recentes decisões do Banco Central Europeu de manter as taxas de juros inalteradas também corroboram um ambiente internacional que, em conjunto com a situação nos EUA, sinaliza um futuro com melhores perspectivas para a economia brasileira.