Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
A recente aprovação no Congresso da mudança na meta fiscal, que autoriza um déficit de até R$ 170,5 bilhões, gerou grande repercussão. Nelson Rocha Augusto, nosso colunista de economia, analisa os possíveis impactos dessa decisão na vida dos cidadãos.
O Déficit e a Dívida Interna
O economista destaca que a sociedade esperava um pequeno superávit, mas a realidade das contas públicas, com a redução da receita devido ao baixo nível de atividade econômica, levou a equipe econômica a admitir um déficit considerável. É importante notar que esse valor não inclui os custos da dívida interna, que, com as altas taxas de juros, podem elevar o déficit total para cerca de R$ 250 bilhões.
Transparência e Credibilidade
A aprovação pelo Congresso e a transparência da nova equipe econômica são vistas como um passo importante para restaurar a credibilidade. A promessa é de que não haverá maquiagem contábil ou “esqueletos no armário”, garantindo que o déficit apresentado seja o real. O economista expressa otimismo, acreditando que o déficit pode ser um pouco menor do que o previsto, considerando o lucro de operações do Banco Central com compra e venda de dólares e derivativos.
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Medidas para o Futuro
Além da aprovação do déficit, a equipe econômica propõe o congelamento, em termos reais, dos gastos do governo. Isso significa que nenhum gasto poderá crescer acima da inflação. Essa medida, que ainda precisa ser aprovada pelo Congresso, visa controlar o nível de gastos, que, segundo o economista, estava fora de controle. Outras medidas incluem uma reforma da presidência para reduzir as despesas.
Embora a aprovação da meta fiscal e as medidas propostas sejam passos importantes, os resultados positivos na economia, como a retomada do investimento e do emprego, devem demorar a aparecer. A expectativa é que a situação comece a melhorar a partir do próximo ano. No mercado de trabalho, a destruição de postos deve parar em alguns meses, com uma possível recuperação no final do ano ou início do ano que vem. A sociedade está colhendo os frutos de erros cometidos no passado, mas há uma luz no fim do túnel.