Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeotti
A busca pela cirurgia bariátrica tem se intensificado entre pessoas com sobrepeso, impulsionada pelo desejo de alcançar beleza, saúde e qualidade de vida, além de reverter quadros de doenças como diabetes e hipertensão. No entanto, o que deveria ser um momento de satisfação física pode trazer consigo riscos emocionais significativos, conforme alerta a psicóloga Danielis Eote.
A Importância da Avaliação Psicológica Pré e Pós-Cirúrgica
A cirurgia bariátrica, ou cirurgia de redução de estômago, é um procedimento delicado e minucioso, indicado para pessoas com IMC acima de 35 com complicações clínicas, como diabetes e hipertensão, ou IMC acima de 40 que não obtiveram sucesso em tratamentos ambulatoriais para perda de peso. Após a indicação, o paciente deve passar por diversas avaliações, incluindo a psicológica, que se tornou obrigatória nos últimos 12 anos por norma da Organização Mundial da Saúde.
Essa obrigatoriedade se justifica pelas complicações psicológicas que se mostraram mais relevantes do que as físicas a longo prazo. Estudos apontam que, após quatro ou cinco anos da cirurgia, uma parcela significativa dos pacientes desenvolve transtornos mentais e volta a ganhar peso. O acompanhamento psicológico, tanto antes quanto depois do procedimento, é crucial para mitigar esses riscos.
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Riscos e Transtornos Comportamentais Pós-Cirurgia
Os principais riscos observados após a cirurgia incluem comportamento compulsivo alimentar, com episódios de orgias alimentares, transtorno de compulsão por compras, aumento do consumo de álcool (etilismo) e dependência química. A relação entre obesidade e alcoolismo é notável, pois a compulsão alimentar pode ser substituída pela ingestão de álcool, que proporciona uma sensação de saciedade. Além disso, há um aumento no número de casos de transtornos depressivos, suicídios e divórcios.
O Papel da Família no Processo de Recuperação
O envolvimento da família é fundamental para o sucesso do tratamento. É essencial que os familiares compreendam o processo, acompanhem e ofereçam apoio generoso ao paciente, que permanece a mesma pessoa após a cirurgia, apenas com uma mudança física no estômago. A personalidade e os comportamentos permanecem os mesmos, exigindo ajuda contínua. A melhora na autoestima e a autoconfiança podem gerar mudanças comportamentais, e a família deve estar preparada para apoiar e entender essa nova fase.
O acompanhamento multidisciplinar e o suporte familiar são elementos-chave para garantir que a cirurgia bariátrica atinja seus objetivos de forma segura e eficaz, promovendo uma melhor qualidade de vida para o paciente.