Professor de políticas ambientais da USP detalha as consequências que o descarte irregular pode causar no meio ambiente
A problemática do descarte irregular de resíduos sólidos é uma questão crucial em diversas cidades brasileiras, impactando significativamente a saúde pública e o meio ambiente. Em Ribeirão Preto e região, dados apontam a geração diária de 1,5 kg de resíduos sólidos por habitante, superando a média de lixo orgânico (1 kg). Esse excesso de resíduos, que não segue os padrões de coleta de lixo orgânico, tem consequências graves para as cidades.
Descarte Irregular e a Responsabilidade Compartilhada
A responsabilidade pelo descarte de entulho e resíduos sólidos recai sobre os geradores. Entretanto, a falta de infraestrutura adequada e de conscientização da população contribui para o descarte irregular em diversos pontos da cidade, como terrenos baldios e beiras de rodovias. Em Ribeirão Preto, a prefeitura implementou ecopontos como alternativa, recebendo em 2022 um volume considerável de materiais: 230 toneladas de recicláveis, 10 mil toneladas de resíduos da construção civil e 4 mil toneladas de objetos inservíveis. Apesar disso, a taxa de reciclagem ainda é baixa.
Políticas Públicas e a Necessidade de Ação Integrada
Segundo o professor Marcelo Marini Pereira, especialista em políticas ambientais da USP de Ribeirão Preto, a solução para o problema exige uma abordagem multifacetada. A falta de aplicação efetiva das políticas nacionais, estaduais e municipais de resíduos sólidos contribui para a situação. Além da infraestrutura (como os ecopontos), é fundamental uma mudança de comportamento por parte da população, estimulada por educação ambiental e campanhas de conscientização. A gestão pública tem um papel crucial nesse processo, fomentando a coleta seletiva, investindo em reciclagem e criando mecanismos para responsabilizar os geradores de resíduos.
Caminhos para um Futuro Mais Sustentável
O problema do descarte irregular de resíduos sólidos é complexo, mas solucionável. A combinação de políticas públicas eficazes, investimento em infraestrutura adequada e conscientização da população são pilares para um futuro mais sustentável. A participação ativa da sociedade, aliada a uma gestão pública eficiente e comprometida, é fundamental para reduzir os impactos negativos no meio ambiente e na saúde pública, promovendo um ciclo de descarte mais responsável e consciente.



