Pediatra, Ivan Savioli, explica que os recém-nascidos apresentam o famoso ‘pé chato’ e o ‘joelho para dentro’; ouça a coluna!
Problemas ortopédicos em crianças são comuns e, na maioria das vezes, não representam motivos para preocupação. Acompanhe este artigo para entender melhor os casos mais frequentes e quando procurar um especialista.
Pé Chato: Um Mito Frequente
Muitos pais se preocupam com o pé chato em seus filhos. É importante saber que quase todas as crianças nascem com uma aparência de pé chato devido a uma camada de gordura na planta do pé. Esta gordura desaparece com o tempo, revelando a forma normal do pé. O pé chato verdadeiro é raro, geralmente doloroso e rígido. A observação geralmente é suficiente.
Desvios nos Joelhos e Pés: Variações Normais
Desvios como joelhos para dentro (geno valgo) ou para fora (genovaro), e pés para dentro, são frequentes em bebês e crianças pequenas. Essas condições geralmente se corrigem naturalmente com o crescimento. A maioria das crianças nasce com as pernas levemente arqueadas, que se retificam por volta dos dois anos. Por volta dos quatro ou cinco anos, os joelhos podem se tocar (pernas em “alicate”), o que também é considerado normal. O acompanhamento pediátrico é importante para monitorar o desenvolvimento.
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Andar na Ponta dos Pés e Outros Desvios
Andar na ponta dos pés é comum quando a criança começa a andar, geralmente desaparecendo até os três anos. Após essa idade, a persistência desse hábito requer investigação, podendo estar associada a condições como autismo. Desvios nos pés, como a versão femoral (pés para dentro), são fisiológicos no início da vida e, na maioria das vezes, se corrigem espontaneamente. Se o crescimento for normal e a criança não apresentar quedas frequentes ou dificuldades em suas atividades, não há necessidade de tratamento.
Em resumo, a maioria dos problemas ortopédicos em crianças se resolvem sozinhos com o crescimento. O acompanhamento regular com o pediatra é fundamental para identificar situações que requeiram avaliação especializada. A preocupação dos pais deve ser acionada quando há desvios mais intensos de um lado do corpo que do outro, ou quando o desenvolvimento da criança não é adequado. Nestes casos, a consulta com um ortopedista pediátrico pode ser necessária. Os tratamentos variam de fisioterapia a procedimentos cirúrgicos, sendo a cirurgia uma exceção à regra.