Ouça a coluna ‘CBN Filhos e Companhia’, com Luciana Herrero
A percepção do mundo pelos recém-nascidos é um tema fascinante e, por vezes, pouco explorado. Apesar da crença comum de que os bebês nos primeiros dias de vida ainda estão em pleno desenvolvimento, a verdade é que eles possuem uma capacidade surpreendente de interagir com o ambiente ao seu redor. Vamos explorar alguns aspectos cruciais dessa jornada sensorial.
O Desenvolvimento Cerebral e a Gestação Extrauterina
Ao nascer, o cérebro humano está com cerca de 25% de sua maturidade, um percentual menor se comparado a outros mamíferos. No entanto, o cérebro humano compensa essa diferença com um crescimento e desenvolvimento rápidos. Os primeiros três meses de vida são considerados um período de “gestação extrauterina”, onde o bebê experimenta um intenso desenvolvimento fora do útero materno. É crucial entender que, apesar desse desenvolvimento contínuo, o bebê não é um ser passivo, alheio ao mundo. Ele percebe e reage ao ambiente desde o início.
A Importância do Pré-Natal e do Parto Normal
O acompanhamento pré-natal desempenha um papel fundamental na saúde do bebê e da mãe. Um pré-natal de qualidade permite identificar possíveis transtornos, além de orientar a mãe sobre alimentação e hábitos saudáveis, impactando diretamente o desenvolvimento do bebê. A nutrição adequada durante a gestação prepara o bebê para uma transição mais suave para a vida fora do útero. O parto normal também oferece benefícios significativos. As contrações uterinas e os hormônios liberados durante o trabalho de parto auxiliam na limpeza dos pulmões do bebê, facilitando a respiração, e estimulam a produção de leite materno, promovendo uma amamentação bem-sucedida. Mesmo que uma cesariana seja necessária, iniciar o trabalho de parto é benéfico para o bebê.
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Os Sentidos Aguçados do Recém-Nascido
Contrariando a crença popular, o bebê enxerga desde o nascimento, embora com um foco limitado a cerca de 20 a 30 centímetros. Essa distância é perfeita para que, durante a amamentação, ele possa ver com clareza o rosto da mãe, fortalecendo o vínculo entre eles. Bebês também demonstram preferência por rostos humanos, especialmente os dos pais, cujas vozes já reconhecem do útero. Além da visão, a audição do bebê é bem desenvolvida, inclusive desde a gestação, permitindo que ele perceba as vozes e os tons de voz. O paladar também está presente, com preferência por sabores adocicados, como o do leite materno. Estudos revelam que bebês já demonstram preferências gustativas no útero, reagindo a mudanças no sabor do líquido amniótico.
O toque, o contato pele a pele, é essencial para o bem-estar do recém-nascido. Essa necessidade fisiológica, que não deve ser confundida com manha ou vício, fortalece o sistema imunológico e promove a criação de um vínculo seguro e duradouro.



