Ouça o quadro ‘CBN Papo Certo’, com a professora Silvia Bonfim
A presença constante do Aedes aegypti nas manchetes levanta uma questão fundamental: o que realmente significa o nome desse mosquito, vetor de doenças como Dengue, Zika e Chikungunya? Para desvendar esse mistério, conversamos com a professora Silvia Bonfim, especialista em Latim, Grego e Francês.
Aedes aegypti ou Aedes egypti: Qual a Forma Correta?
Professora Silvia esclarece que ambas as formas – Aedes aegypti e Aedes egypti – são válidas. A primeira reflete a escrita e pronúncia do Latim clássico, utilizada pela classe culta. Já a segunda, Aedes egypti, representa a simplificação popular, mais próxima da evolução natural da língua.
A Origem da Palavra e Seu Significado
A professora Bonfim explica que, como o Português deriva do Latim vulgar, a forma Aedes egypti tornou-se mais comum por se assemelhar à fala da população na época. Originalmente, Aedes era o termo utilizado pelas pessoas mais letradas, enquanto o povo pronunciava de forma diferente. Aedes está relacionado a termos como ‘edifício’ e ‘edícula’, remetendo à ideia de ‘casa’.
Leia também
O Egípcio da Casa: Uma Interpretação Histórica
O termo aegypti foi adicionado por se acreditar que o mosquito era originário do Egito e que habitava as casas, os lares, onde encontrava locais com água parada para se reproduzir. Assim, o nome significava, originalmente, ‘o egípcio da casa’. Atualmente, a comunidade científica adota a pronúncia do Latim popular, Aedes egypti.
Um Adendo Pertinente
A professora Silvia Bonfim ainda acrescenta que Aedes egypti pode ser interpretado como ‘o egípcio do mal’, uma descrição que se encaixa perfeitamente com o impacto negativo que esse mosquito tem na saúde pública.
Em suma, a nomenclatura do mosquito revela nuances históricas e linguísticas, refletindo tanto a erudição quanto a adaptação popular da língua latina.