Mestre em linguística e língua portuguesa Lígia Boareto explica como escrever corretamente palavras desse tipo
O uso do hífen em palavras compostas é um tema que gera muitas dúvidas, principalmente quando se trata de substantivos e adjetivos. Um exemplo clássico, extraído da música de João Bosco, é a expressão “boia fria”.
Boia fria: com ou sem hífen?
A palavra “boia” é um substantivo e “fria” é um adjetivo. Segundo as regras atuais da língua portuguesa, palavras compostas formadas por um substantivo + adjetivo devem ser escritas com hífen. Portanto, “boia fria” é grafada com hífen.
Contexto histórico e social
A expressão “boia fria” remete à realidade dos trabalhadores rurais, muitas vezes submetidos a condições precárias de trabalho. A música de João Bosco retrata a dura realidade desses trabalhadores, que sonham com coisas simples, como uma boa refeição, após um dia exaustivo de trabalho. A persistência de situações análogas à escravidão no campo, mesmo com avanços tecnológicos e legislação trabalhista, reforça a importância de se discutir as condições de trabalho e os direitos dos trabalhadores rurais.
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Regras gerais para o uso do hífen
Além de substantivo + adjetivo, o hífen é utilizado em outras situações em palavras compostas, desde que não haja preposição entre os elementos. Por exemplo: guarda-chuva, segunda-feira, obra-prima. Entretanto, em expressões como “mesa de cabeceira”, o hífen não é usado devido à preposição “de”. A palavra “criado-mudo”, embora graficamente correta com hífen, é considerada arcaica e recomenda-se o uso de sinônimos, como “mesa de cabeceira”.
O debate sobre o uso do hífen em palavras compostas continua relevante, especialmente em casos como “bolsa família”, onde a regra nem sempre é clara. Acompanhe as próximas edições para mais esclarecimentos sobre a língua portuguesa.