Ouça a coluna ‘CBN Comportamento’, com Daniele Zeotti
Em algum momento, você já pensou em inverter os papéis com sua mãe? Em vez de ela se preocupar com você, você se dispor a cuidar dela? Qual é a responsabilidade dos filhos com os pais? Em algum momento, você precisará assumir esse papel, seja por limitações físicas ou psicológicas, ou por motivo de doença. O Brasil está se tornando um país de idosos, e precisará estar preparado para cuidar deles, sendo os filhos os principais cuidadores.
A Inversão de Responsabilidades
Perceber o momento em que um filho troca de papel é crucial. Na verdade, ele troca de responsabilidade. Ninguém nasce sabendo ser filho; é preciso aprender a ser pai daqueles que cuidaram de você. A vida toda, a pessoa aprendeu a ser filha, esperando que os pais resolvessem seus problemas, atendessem suas necessidades e oferecessem carinho e amor.
Preparando-se para o Cuidado
Chega um momento em que os filhos não devem mais esperar que os pais provejam todas as soluções e necessidades, mas sim se preocupar com as necessidades dos pais. O ideal é que isso aconteça antes mesmo que os pais adoeçam, podendo ser praticado desde sempre. A infância está diminuindo e a adolescência aumentando, tornando a idade adulta mais curta, com pessoas dependentes dos pais até mais tarde. É importante entender que há um momento de inversão, onde você se preocupa se eles estão bem, se conseguem pagar as contas, se precisam de algo, seja de saúde física ou atenção.
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O Desespero e a Gratificação do Cuidado
Quando chega o momento inevitável de inverter os papéis e cuidar dos pais, muitos filhos se desesperam. Em hospitais, vemos pais precisando de cuidados em casa, e ninguém se dispõe a assumir essa responsabilidade. No entanto, essa experiência pode ser muito gratificante, desenvolvendo um amor e carinho que não tiveram a oportunidade de oferecer antes. Ajudar é ser muito mais ajudado, e cuidar é ser muito mais cuidado.
Assumir essa responsabilidade e cuidar dos pais com amor, carinho e entrega, abrindo mão de atividades, é um privilégio único. É uma chance de reparar mágoas, dizer coisas que não foram ditas e ser uma presença para quem está adoecendo ou partindo. A dor da saudade é suportável, mas a dor do arrependimento é devastadora.
É preciso praticar e exercer essa função que também é dos filhos: reconhecer o momento do pai, em qualquer fase da vida.
Esperamos que a reflexão contribua para uma melhor relação entre pais e filhos.