Quem tira essas e outras dúvidas é a mestra em linguística Lígia Boareto na coluna ‘CBN Papo Certo’
A discussão sobre a flexão de gênero em profissões e cargos é um tema atual e polêmico, que gera dúvidas até mesmo entre especialistas em língua portuguesa. O uso de termos como “pedreira”, “química”, “professora” e “primeira-ministra” ilustra a evolução da língua e a busca por uma maior inclusão da mulher em diferentes contextos.
Flexão de Gênero em Profissões: Uma Questão de Uso
A língua portuguesa, como toda língua viva, está em constante transformação. A inclusão da mulher em profissões antes predominantemente masculinas impulsiona a criação de novas formas e a adaptação de termos já existentes. A discussão gramatical muitas vezes se torna secundária, pois a evolução da linguagem é impulsionada pelo uso social. A aceitação de termos como “presidenta” e “primeira-ministra” demonstra essa dinâmica, refletindo a crescente participação feminina em cargos de liderança.
A Influência da Mídia e a Consagração de Termos
A mídia desempenha um papel fundamental na consolidação de novas formas linguísticas. A repetição e a massificação do uso de um termo contribuem para sua aceitação e incorporação ao vocabulário comum. O exemplo da palavra “olimpíada”, usada majoritariamente no plural apesar da forma gramaticalmente correta ser no singular, ilustra como a linguagem popular pode influenciar a evolução da língua. A imprensa, portanto, tem um papel crucial na definição de quais termos serão adotados pela sociedade e, consequentemente, pela gramática.
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Desafios e Evoluções da Linguagem
A adaptação da linguagem para refletir a igualdade de gênero apresenta desafios, especialmente em relação a termos que não possuem um equivalente feminino consolidado. A busca por um termo para designar o marido de uma “prefeita”, por exemplo, demonstra essa dificuldade. A língua, porém, continua a evoluir, adaptando-se às mudanças sociais e incorporando novas palavras e expressões. A discussão sobre a flexão de gênero é um processo contínuo, que envolve a sociedade, a mídia e os estudiosos da língua, moldando a forma como nos comunicamos e refletimos nossa realidade.