Pesquisa da FGV aponta que no Brasil existem mais smartphones que pessoas, são cerca de 1,2 aparelhos por habitantes
O Brasil conta com cerca de 163, Qual o impacto do uso dos,8 milhões de pessoas que possuem aparelhos de telefone celular. Em maio de 2024, uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas indicou que o país tem mais smartphones do que habitantes, com uma média de 1,2 aparelhos por pessoa.
Em relação ao uso de celulares por crianças e adolescentes, Qual o impacto do uso dos, dados de 2022 apontam que 54,8% dos indivíduos entre 10 e 13 anos possuem um aparelho para uso pessoal, colocando o Brasil entre os países com maior número de usuários de smartphones nessa faixa etária.
Uso do celular e saúde cardiovascular
Uma pesquisa recente baseada no Banco de Dados Britânico, um dos mais extensos do mundo, mostrou que o hábito de usar o celular para fazer pelo menos uma ligação por semana está associado a um aumento do risco de doenças cardiovasculares. Esse risco é especialmente maior em indivíduos que já possuem outros fatores, como tabagismo e diabetes.
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O estudo identificou que padrões de sono ruins, sofrimento psicológico e neuroticismo atuam como mediadores significativos nessa associação, contribuindo com 5,1%, mais de 11% e quase 3% respectivamente para o aumento do risco de doenças circulatórias.
Fatores biológicos e ambientais: Segundo o Dr. Xi’an Hui Qin, professor de nefrologia da Universidade Médica do Sul, na China, padrões de sono inadequados e transtornos psiquiátricos podem prejudicar os ritmos circadianos, funções endócrinas e metabólicas, além de aumentar os níveis de inflamação no organismo.
Além disso, a exposição contínua a campos eletromagnéticos de radiofrequência emitidos pelos celulares pode causar estresse oxidativo e desencadear respostas inflamatórias, que são bases para diversas doenças. Essa exposição, combinada com tabagismo e diabetes, pode aumentar de forma sinérgica o risco de doenças cardiovasculares.
Detalhes do estudo: O estudo foi publicado online em 4 de setembro no Canadian Journal of Cardiology. A análise incluiu mais de 440 mil pessoas do UK Biobank, com idade média de 56 anos, sendo 24% homens, sem histórico prévio de doenças cardiovasculares. Deste total, 86% eram usuários regulares de celulares, com o uso semanal autorelatado como tempo médio de chamadas nos três meses anteriores.
Foram observadas doenças inéditas como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, arritmias graves e insuficiência cardíaca. Usuários regulares de celular eram geralmente mais jovens, fumavam mais, moravam em áreas urbanas e apresentavam menores índices de hipertensão e diabetes em comparação com não usuários.
Uso do celular no Brasil e implicações
Em 2023, brasileiros passaram em média cinco horas diárias no celular, um aumento de quase 5% em relação a 2022. Apesar de o estudo britânico ser uma observação inicial e isolada, os dados sugerem que o uso excessivo do celular pode representar riscos à saúde cardiovascular.
Pesquisas do Panorama Mobile Time Opinion Box indicam que o tempo médio diário de uso de celular por crianças brasileiras a partir de 7 anos teve uma redução discreta, mas o uso total permanece elevado. Entre adolescentes, o uso diário é de aproximadamente quatro horas, o que também é preocupante.
Especialistas alertam para a necessidade de utilizar as novas tecnologias de forma consciente, evitando que as pessoas sejam dominadas pelo uso excessivo desses dispositivos.
Informações adicionais
O estudo mencionado foi publicado no Canadian Journal of Cardiology em setembro de 2024 e utilizou dados do UK Biobank, envolvendo mais de 440 mil participantes. O uso do celular foi avaliado por meio de autorrelato do tempo médio de chamadas semanais.