Ouça a coluna ‘CBN Educação para a Vida’, com João Roberto de Araújo
O noticiário tem mostrado um fluxo intenso de imigrantes chegando à Europa, buscando refúgio contra a guerra e a fome que assolam seus países. Essa situação representa um desafio significativo e uma pressão humanitária sobre a comunidade europeia, que vê sua gestão política e seus valores éticos sendo postos à prova. Casos de mortes no mar, decorrentes de travessias inseguras, bloqueios de fronteiras e imagens de crianças mortas nas praias, compõem um cenário de grande sofrimento.
Um Marco Histórico para a Humanização
Do ponto de vista do processo de humanização, este é um momento extraordinariamente importante. Um marco histórico para a revisão e o desenvolvimento das competências de convivência. O sofrimento humano, o desespero e as lutas entre as forças da vida e da morte provocam e desafiam. Embora essa realidade seja global, o palco iluminado no momento é a Europa.
A União Europeia e o Prêmio Nobel da Paz
A Europa, que no século passado se desintegrou em grandes guerras, fez um esforço de diálogo e união, organizando-se na União Europeia desde 1957. Essa iniciativa pioneira visa desenvolver a convivência na diversidade de nações. Em 2012, a União Europeia recebeu o Prêmio Nobel da Paz por contribuir para o avanço da paz, da reconciliação, da democracia e dos direitos humanos na Europa, transformando inimigos históricos como Alemanha e França em fortes aliados.
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Um Novo Salto de Humanização
Bate à porta da humanidade um novo desafio: a possibilidade de um novo salto de humanização. Após milênios de nomadismo e uma etapa de sedentarização marcada pela acumulação, poder e dominação, sinais no horizonte histórico indicam a possibilidade de um novo estágio. Um exemplo é o som de um violino tocando a Nona Sinfonia de Beethoven no Portão de Brandemburgo, em Berlim, após a Segunda Guerra Mundial, trazendo uma proposta de coragem, confiança e resolução para a aventura de viver.
A Alemanha, outrora o “demônio alemão” que causou destruição, tem a oportunidade de reverter um passado predatório, acolhendo os desesperados que fogem da guerra e da fome, e tornando realidade a utopia da fraternidade. Apesar da violência e da desintegração, sinais permitem manter a esperança acesa, e as lideranças da educação têm um papel importante na realização desse sonho.



