Dimas Facioli analisa estudo que aponta que os dinamarqueses se sentem melhor com essa relação do que pessoas de outros países
Durante o programa Manhã CBN, Qual o segredo da Dinamarca para, foi discutida a relação entre emprego, oportunidades e qualidade de vida no trabalho, com participação de ouvintes. Humberto, ouvinte de Franca, comentou de forma descontraída sobre o desejo de experimentar os benefícios de ter dinheiro em excesso.
Qualidade de vida no trabalho na Dinamarca
Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 1,1% dos dinamarqueses trabalham 50 horas ou mais por semana, percentual muito inferior à média mundial de 10,2%. Para comparação, no Reino Unido esse índice é de 10,8%, nos Estados Unidos 10,4% e no Brasil, com dados de 2015, cerca de 6,2% da população trabalha mais de 50 horas semanais.
O autor dinamarquês Mac Weeking, chefe do Instituto para a Pesquisa da Felicidade, destaca que a Dinamarca é referência em políticas que promovem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Entre essas políticas estão o direito a pelo menos cinco semanas de férias remuneradas por ano e seis meses de licença parental remunerada. No Brasil, a legislação prevê 30 dias de férias, enquanto nos Estados Unidos a média pode ser de apenas 11 dias, e a licença parental remunerada é limitada.
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Cultura de trabalho e confiança: Weeking cita o exemplo dos funcionários do parque Tivoli Gardens, em Copenhagen, que seguem a “regra dos 3 metros”: cada trabalhador é responsável por cuidar de tudo que está dentro de um raio de três metros, promovendo senso de propriedade e valorização no ambiente de trabalho.
Janine Leshin, professora da Copenhagen Business School, afirma que a cultura de trabalho na Dinamarca não exige presença constante para demonstrar esforço, diferentemente do que ocorre em outros países, como o Brasil. A flexibilidade na jornada permite que funcionários conciliem compromissos pessoais, como buscar filhos na escola.
Desafios e perspectivas para o Brasil
No Brasil, a legislação trabalhista é complexa e ainda há uma cultura que valoriza a presença física e a disponibilidade constante, inclusive fora do horário de trabalho, o que pode prejudicar o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Algumas empresas já adotam modelos híbridos ou de trabalho remoto, mas ainda enfrentam dificuldades para implementar políticas que promovam esse equilíbrio.
Nos Estados Unidos, a cultura enfatiza a conquista individual e a ambição, o que impulsionou a inovação, mas muitas vezes às custas do equilíbrio pessoal. Especialistas destacam a importância de as empresas brasileiras repensarem suas políticas para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, especialmente diante da atual dificuldade para contratação.
Informações adicionais
Os dados sobre o Brasil referentes às horas trabalhadas são de 2015, e não foram divulgados números mais recentes. A discussão sobre qualidade de vida no trabalho envolve aspectos culturais, econômicos e legislativos que variam significativamente entre países.