Pesquisar da Fiocruz, Rodrigo Stabeli fala sobre essa expectativa
Nos últimos dias, diversos países têm flexibilizado as medidas de combate à Covid-19, discutindo a transição de pandemia para endemia. Entretanto, essa mudança, esperada há tempos, é complexa e sujeita a retrocessos, como demonstram oscilações em restrições em várias nações.
A Busca pela Endemia: Um Longo Caminho
Rodrigo Stabile, pesquisador da Fiocruz, destaca que a declaração de endemia para o novo coronavírus é prematura. Enquanto a vacinação global não atingir cerca de 95% a 97% da população, o risco de novas variantes resistentes permanece alto. A variante Ômicron, por exemplo, demonstra a capacidade do vírus de evoluir.
Desafios da Vacinação e da Informação
Stabile aponta a baixa adesão à vacinação como um grande obstáculo. No Brasil, apesar de cerca de 75% da população vacinada, falta imunizar 25%, incluindo milhões de crianças. A desinformação, alimentada por notícias falsas sobre a vacina, também prejudica a imunização em massa. A falta de uma política pública eficaz e a disseminação de informações inverídicas pelo presidente da República agravam a situação.
A aplicação da quarta dose para imunossuprimidos, embora prevista, não deve ser generalizada. A prioridade é completar os ciclos de vacinação iniciais e garantir a segunda dose, que reduz em 40 vezes o risco de internação em UTI em comparação à primeira dose. A terceira dose aumenta essa proteção para 80 vezes. A combinação de vacinação completa, uso de máscaras e distanciamento físico é crucial para reduzir drasticamente a possibilidade de internação.
A desigualdade na distribuição global de vacinas também é um fator crítico. A doação de vacinas pelo Brasil foi insuficiente, comprometendo os esforços para controlar a pandemia globalmente. Combater a desinformação e promover a vacinação são passos essenciais para alcançar um cenário de endemia.
Um Futuro Incerto
A previsão de quando a Covid-19 se tornará endêmica no Brasil é incerta, devido à alta resistência à vacinação. A contínua disseminação de fake news e a falta de políticas públicas eficazes dificultam o controle da doença. A busca por informações confiáveis e a atuação de especialistas são fundamentais para enfrentar esse desafio.



