Pediatra Ivan Savioli explica quando as crianças precisam tomar remédios e seus efeitos colaterais do uso constante
A volta às aulas é sinônimo de aumento de doenças entre as crianças, devido ao contato próximo com outras crianças. Mas será que todos os sintomas precisam de medicação? Conversamos com o Dr. Ivã Savioli para esclarecer dúvidas sobre o uso de remédios em situações comuns como vômitos e tosse.
Vômitos em crianças: medicação necessária?
Segundo o Dr. Savioli, medicamentos para cortar vômitos, como metoclopramida, domperidona e dimenidrinato, não devem ser usados rotineiramente. Seu uso só é indicado em casos de desidratação causada pelos vômitos. É importante lembrar que esses medicamentos podem causar efeitos colaterais sérios em crianças pequenas, como agitação e delírios. Em casos de vômitos, a recomendação é respeitar a fome da criança, diminuir o tamanho das porções das refeições e oferecer alimentos mais frios. Se os vômitos persistirem, a orientação é procurar um pediatra.
Tosse: o mecanismo de defesa do corpo
A tosse, apesar de incômoda, é um mecanismo de defesa do trato respiratório. A maioria dos medicamentos antitusivos não apresenta eficácia comprovada, sendo muitas vezes superiores apenas ao placebo. A codeína, única exceção, é um opiáceo e não é liberada para uso infantil. Para aliviar a tosse, a recomendação é manter a criança bem hidratada, pois a maior parte do muco é composta por água. Em casos de tosse persistente, dificuldade para respirar ou suspeita de asma, é fundamental consultar um médico.
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Anti-inflamatórios, antibióticos e a síndrome de Reye
O uso de anti-inflamatórios para tratar gripes e resfriados não é recomendado, pois não há estudos que comprovem sua eficácia. Embora possam aliviar a dor de garganta, eles não tratam a infecção e podem piorar quadros com contaminação bacteriana. Antibióticos só devem ser usados em casos de infecção bacteriana, como amidalite bacteriana, sob orientação médica. Por fim, é crucial nunca administrar aspirina (AAS) para crianças e adolescentes com infecções virais, devido ao risco, ainda que raro, de desenvolver a síndrome de Reye, uma doença grave e potencialmente fatal. A aspirina só deve ser utilizada sob prescrição médica.
Em resumo, muitas vezes o melhor tratamento para doenças comuns na infância é o acompanhamento médico, hidratação e repouso, sem a necessidade de medicação. A automedicação deve ser evitada, e a consulta médica é fundamental para um diagnóstico preciso e o tratamento adequado.