Milhões de fiéis iniciam nesta Quarta-feira de Cinzas o período da Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa marcado por reflexão, penitência e práticas de fé. A data abre um ciclo de 40 dias considerado pela Igreja Católica como caminho espiritual rumo à principal celebração do calendário cristão.
Em entrevista ao Manhã CBN, o padre Gilberto Casper, reitor da Igreja Santo Antônio Pão dos Pobres e pároco da Paróquia Santa Teresa D’Ávila, explicou o significado do período e reforçou a importância da vivência consciente dos exercícios quaresmais.
Tempo quaresmal
Segundo o sacerdote, a Quaresma vai da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-feira Santa. “A quarta-feira de cinzas inicia na Igreja Católica um período de 40 dias de preparação à principal festa dos cristãos, ou seja, a Páscoa do Senhor”, afirmou.
A Igreja prescreve jejum e abstinência de carne na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. No entanto, o padre ressalta que o período convida a práticas mais amplas de transformação pessoal e social. “É um tempo muito rico e que nos propõe alguns exercícios penitenciais que visam melhorar nossa qualidade de vida como cristãos, filhos de Deus e irmãos uns dos outros.”
Exercícios espirituais
O padre destacou oração, jejum e caridade como os três pilares da Quaresma. A oração é entendida como aprofundamento da relação com Deus, por meio da meditação e da leitura da Bíblia.
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“Nossa oração como diálogo só é capaz de chegar ao coração de Deus quando brota do nosso próprio coração. Do contrário, seria a mesma coisa como falar num telefone desconectado”, orienta.
Sobre o jejum, ele alertou que a prática não deve ser reduzida a uma dieta e a caridade deve ir além de um gesto pontual. “Nosso jejum não pode reduzir-se a uma simples dieta que nos ajude a emagrecer […] Nossa partilha não pode reduzir-se a um simples desencargo de consciência ou ato de dó. Deve transcender ao esforço de que todos possam viver com igual dignidade humana.”
Para o padre, os católicos têm demonstrado maior maturidade na vivência dos chamados “tempos fortes” da Igreja, como o Advento e a Quaresma. Ele citou o aumento na participação em mutirões de confissão e no engajamento com a Campanha da Fraternidade, lançada nesta Quarta-feira de Cinzas e que, neste ano, aborda o tema da moradia. “O nosso povo tem amadurecido e participado com maior consciência desses tempos fortes da igreja”, avaliou. Ele também ressaltou que a campanha busca olhar a realidade com os olhos do Evangelho e refletir sobre o direito à moradia digna.



