Entre janeiro e maio de 2026, 40% das consultas agendadas no Núcleo de Obesidade Infantil de Ribeirão Preto não foram realizadas por falta dos pacientes. Os dados da Secretaria Municipal da Saúde acendem um alerta justamente no Dia Nacional de Combate à Obesidade Infantil, celebrado em 3 de junho.
No período, foram marcadas 152 consultas, mas mais de 60 crianças e adolescentes não compareceram aos atendimentos. Segundo a nutróloga Valéria Moro, integrante do núcleo, a baixa adesão preocupa porque o tratamento precoce é fundamental para evitar complicações de saúde ainda na infância e na vida adulta.
A médica destaca que o problema não é exclusivo de Ribeirão Preto e reflete uma dificuldade observada em todo o país e também em outros países, tanto na prevenção quanto no tratamento da obesidade infantil.
Falta preocupa
De acordo com Valéria Moro, as ausências ocorrem tanto nas primeiras consultas quanto nos retornos. As crianças e adolescentes chegam ao núcleo encaminhados por pediatras da rede pública após a identificação de sobrepeso ou obesidade.
A especialista alerta que crianças com obesidade têm maior probabilidade de se tornarem adultos obesos e desenvolverem doenças associadas. Entre os problemas que já podem surgir ainda na infância estão resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes, colesterol elevado e gordura no fígado.
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Além disso, doenças cardiovasculares que antes eram mais comuns em pessoas acima dos 50 anos podem aparecer cada vez mais cedo devido ao excesso de peso.
Tratamento multidisciplinar
Inaugurado em dezembro de 2025, o Núcleo de Obesidade Infantil oferece atendimento multidisciplinar com médicas nutrólogas, nutricionista, psicólogo e educador físico.
O acompanhamento inclui consultas médicas regulares, solicitação de exames e avaliação dos impactos da obesidade na saúde da criança. Também são realizados atendimentos individuais e em grupo, além de palestras e orientações para os familiares.
Segundo a nutróloga, o tratamento não envolve apenas a criança ou o adolescente. A participação da família é considerada essencial para mudanças de hábitos alimentares e de estilo de vida.
Prevenção necessária
A Secretaria da Saúde reforça que o combate à obesidade infantil depende de ações conjuntas entre profissionais de saúde, escolas, famílias e sociedade. Entre as principais medidas estão a promoção da alimentação saudável e o incentivo à prática regular de atividades físicas.
Valéria destaca que o aumento do tempo de exposição às telas e a redução das brincadeiras ao ar livre têm contribuído para o crescimento dos casos de sobrepeso e obesidade entre crianças e adolescentes.
O acesso ao núcleo ocorre por encaminhamento das unidades básicas de saúde. Após identificar excesso de peso e avaliar a necessidade de acompanhamento especializado, o médico responsável solicita o atendimento no serviço.
A Secretaria da Saúde também alerta que o não comparecimento às consultas prejudica o tratamento dos pacientes e reduz a disponibilidade de vagas para outras crianças e adolescentes que aguardam atendimento.



