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Que a região se destaca pelo agro, todos sabem, mas como essa cultura se estabeleceu por aqui?

Quem conta a evolução da produção no campo é Adriana Silva na coluna 'CBN Cidades e Suas Histórias'
Que a região se destaca pelo
Quem conta a evolução da produção no campo é Adriana Silva na coluna 'CBN Cidades e Suas Histórias'

Quem conta a evolução da produção no campo é Adriana Silva na coluna ‘CBN Cidades e Suas Histórias’

Solo e identidade: a terra vermelha que marcou a região

Ribeirão Preto é conhecida como a capital do agronegócio brasileiro. A trajetória que consolidou esse título combina características naturais e escolhas econômicas: entre elas, destaca-se a chamada terra vermelha, solo de alta qualidade que, segundo relatos históricos, foi apelidado de “terra roxa” pelos imigrantes italianos. Essa peculiaridade do terreno diferenciou a região de outros polos produtores, como Santos, o Rio de Janeiro e o Vale do Ribeira, e ajudou a formar a identidade agrícola local.

Embora hoje 99,7% do município esteja urbanizado e grandes extensões de cultivo tenham dado lugar à cidade, o legado do campo permanece vivo na cultura e na economia de Ribeirão Preto.

Diversificação econômica e resistência a crises

O agronegócio ribeirão-pretano não se limitou ao plantio. Produtores locais integraram atividades paralelas — industrialização de insumos, fabricação de sacos para o café, pequenas metalúrgicas e mesmo atuação no setor financeiro — o que deu origem a uma economia mais diversificada. A historiadora Lilian Rosa chega a afirmar que a cidade praticou e ajudou a consolidar o que hoje entendemos por agronegócio, ao combinar produção, indústria e serviços.

Essa diversificação teve papel decisivo nos momentos de crise. Em 1929, com o colapso da Bolsa de Nova York, Ribeirão Preto sofreu impactos, porém evitou quebras em escala comparável a outras regiões produtoras, graças à presença de atividades industriais e serviços complementares que amorteceram os efeitos da queda nas cotações do café.

Do campo à inteligência do agronegócio

Nas últimas décadas a cidade passou por nova transformação: deixou de abrigar usinas de cana-de-açúcar em sua área urbana e assumiu posição de polo de inteligência do agronegócio. Startups, centros de pesquisa como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), e uma malha financeira voltada ao setor tornaram Ribeirão Preto um hub onde negócios, tecnologia e conhecimento se articulam.

O evento que se consolidou como a maior feira de agronegócio do país reforça esse papel, reunindo produtores, empresas e instituições e impulsionando parcerias e inovações que conectam a produção local a mercados nacionais e internacionais.

Ribeirão Preto preserva, assim, uma história marcada pela qualidade do solo, pela capacidade de integração entre campo e indústria e pela adaptação contínua às demandas contemporâneas, mantendo viva sua influência no agronegócio brasileiro.

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