Quem fala das marcas e estilos ingleses é Carlos Braghin na coluna ‘Cerveja de Conteúdo’. Confira!
As cervejas inglesas: uma viagem pela história e cultura britânica.
A Cultura do Consumo Inglês
Os ingleses são conhecidos por sua rica cultura cervejeira, com um hábito de consumo predominantemente fora de casa, nos tradicionais pubs. Essa cultura, que se desenvolveu ao longo dos séculos, influenciou diretamente o perfil das cervejas produzidas no país.
Características das Cervejas Inglesas
As cervejas inglesas, em sua maioria, se caracterizam por um baixo teor alcoólico, um sabor intenso de malte e o uso de lúpulo, que, apesar de ter origem alemã, foi incorporado à produção inglesa posteriormente. Historicamente, antes do uso do lúpulo, utilizava-se o gruit, uma mistura de ervas. A designação “ale” para cervejas inglesas tradicionais é uma herança desse período, diferenciando-as das cervejas produzidas com lúpulo, que inicialmente não eram consideradas “ales” pelos ingleses.
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Um Movimento de Preservação
Com a ascensão da cultura cervejeira alemã, baseada em lagers, surgiu na década de 70 o movimento CAMRA (Campaign for Real Ale), criado por consumidores e pequenos fabricantes para defender a tradição cervejeira inglesa, preservando estilos como stouts, porters, bitters e outras cervejas clássicas. Esse movimento teve grande impacto, inspirando iniciativas semelhantes em outros países e assegurando a sobrevivência de estilos cervejeiros tradicionais ingleses até os dias de hoje. A preservação da cultura cervejeira inglesa inclui não apenas os estilos de cerveja, mas também toda a experiência do pub, a medida tradicional de cerveja (o “pint”) e a temperatura de serviço, geralmente um pouco mais elevada do que a costumeira no Brasil.
Em resumo, as cervejas inglesas representam muito mais do que apenas uma bebida: elas são um reflexo da história, da cultura e da identidade britânica, preservadas por um movimento que valoriza a tradição e a qualidade.