Queda de avião em Vinhedo marcou também a vida dos agentes que atuaram na ocorrência
Continuamos nossa série especial, relembrando o ano do acidente aéreo em Vinhedo com a aeronave da Voipás. Hoje, acompanharemos a perspectiva das forças de segurança que atuaram no local logo após a queda. Inúmeras corporações de todo o país se uniram para buscar sobreviventes e extinguir o incêndio subsequente à explosão. Um esforço intenso que se estendeu por dias, desde a remoção dos corpos e destroços até a limpeza e descontaminação da área.
O Dia da Tragédia: Primeiros Momentos e Isolamento
“Tento a rede, atento à rede. Acidente, acidente com avião. Caiu em Vinhedo.” As primeiras informações chegaram rapidamente. O dia 9 de atrássto de 2024 ficou marcado não apenas na memória das famílias das vítimas, mas também na de todos os profissionais envolvidos no resgate, isolamento da área, perícia e investigação do acidente. A agente da Guarda Municipal de Vinhedo, Soraya Peter Tim, parte da primeira equipe a chegar ao local, relata: “Foi muito rápido, nós isolamos ali o local e já solicitamos a presença do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil.” A união de esforços entre as corporações e até mesmo os moradores foi fundamental.
Condições Climáticas e a Impossibilidade de Reação
As causas do acidente ainda estão sob investigação, mas o mau tempo pode ter sido um fator contribuinte. O coordenador da Defesa Civil, Maurício Baroni, recorda: “A gente tinha recebido o alerta de que ia entrar uma frente fria.” Relatos indicavam que o avião voava com um barulho estranho, quase caindo sobre as casas. “A gente percebeu o avião realmente parecia estar entrando em stall, quando ele começa a girar em torno do próprio eixo dele e aí acabou.”
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A Magnitude da Operação e o Impacto Humano
A cidade se transformou, tomada por centenas de viaturas de diversas corporações. Cerca de 30 agências trabalharam no local, montando estruturas de reabastecimento para que os profissionais pudessem descansar e se alimentar. A chuva intensa parecia “esconder um pouco do choro do pessoal que estava trabalhando”, como relataram. Após a queda, a explosão e o fogo resultaram em vítimas carbonizadas e uma casa atingida. O diretor do núcleo de antropologia do IML de São Paulo, Paulo Tiepo, explica que a unidade central foi fechada para atender exclusivamente o acidente, utilizando confrontos antropológicos, odontológicos e datiloscópicos para a identificação das vítimas. O cartório de Vinhedo também montou um posto na capital para auxiliar as famílias com a documentação.
Marcas Permanentes
O tenente do Corpo de Bombeiros, Luiz Henrique Lopes, descreve a cena impactante e a priorização do resgate e combate ao incêndio. Agentes de segurança municipais, estaduais e federais trabalharam em condições extremas, muitos por mais de 20 horas seguidas. A maior tragédia aérea do país nos últimos anos deixou marcas profundas. “A gente não esquece a parte do que aconteceu, mas a gente tenta tocar a vida pra frente”, resume um dos profissionais envolvidos. A experiência trouxe uma nova perspectiva, um olhar mais humanizado para todas as ocorrências.
O evento permanece na memória de todos que participaram, um lembrete sombrio da fragilidade da vida e da importância da união em momentos de crise.



