Mesmo com recorde na receita brasileira de exportação na safra 2023/2024, produção teve queda de 2,2%
A queda no consumo global de suco de laranja tem gerado preocupação na indústria do setor. Apesar da receita recorde obtida pelo Brasil com as exportações na safra 2023-2024, Queda no consumo global do suco de laranja acende alerta na indústria, o volume exportado apresentou redução, o que acende um alerta para o futuro do mercado.
Consumo em queda nos Estados Unidos
Segundo dados compilados pela CitrusBR a partir de informações da Secretaria de Comércio Exterior, o consumo mensal de suco de laranja nos Estados Unidos caiu para 89 milhões de litros, quase metade do volume registrado durante a pandemia de Covid-19, que chegou a 154 milhões de litros por mês. Essa diminuição está relacionada aos preços elevados do produto no mercado internacional, que têm desestimulado a demanda.
Redução da produção na principal região citrícola: A safra 2023-2024 apresentou uma produção de 307 milhões de caixas de 40 quilos nas regiões de São Paulo e Triângulo Mineiro, que formam a maior área citrícola do mundo. Esse volume representa uma queda de 2,2% em relação ao ciclo anterior. Vinícius Trombin, coordenador da pesquisa de estimativa de safra do Fundecitrus, atribui essa redução principalmente às mudanças climáticas, especialmente às altas temperaturas registradas.
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“A safra atual teve uma redução na estimativa em relação à produção observada na safra passada, em 24%. E essa redução é em função da pouca chuva e muito calor na época do florescimento no ano passado. No final do ano passado, quando a gente observou, três ondas de calor, essas ondas de calor provocaram uma queda dos frutinhos que estava desenvolvendo na árvore e isso desencadeou uma redução do número de frutos por árvore.”
Impacto da doença greening nos pomares: Outro fator que tem influenciado negativamente a produção é a doença conhecida como greening, que ainda não tem cura e atingiu 38% dos pomares na temporada, conforme dados do Fundo de Defesa da Citricultura. No ano passado, aproximadamente 32 milhões de caixas deixaram de ser colhidas devido à queda precoce das frutas causada pela doença.
“Somente no ano passado nós tivemos uma perda de cerca de 32 milhões de caixas que não foram colhidas porque as frutas caíram antes e essa queda foi provocada pelo greening.”
Além disso, pesquisas indicam que esses fatores climáticos e sanitários contribuíram para a mistura de outras frutas nos sucos comercializados, o que tem sido observado no mercado brasileiro, onde algumas marcas passaram a adicionar maçã e outras frutas em bebidas que anteriormente eram exclusivamente de laranja.
Perspectivas para o setor: O cenário atual apresenta desafios significativos para o setor citrícola brasileiro, que precisa lidar com a redução da produção causada por fatores climáticos e pela doença greening, além da queda na demanda internacional devido aos preços elevados. Essas condições indicam a necessidade de estratégias para mitigar os impactos e garantir a sustentabilidade da produção e comercialização do suco de laranja.
Entenda melhor
O greening, também conhecido como Huanglongbing (HLB), é uma doença bacteriana transmitida por um inseto vetor que afeta as plantas cítricas, causando a queda prematura dos frutos e a morte gradual das árvores. Atualmente, não há cura para a doença, o que torna o manejo e o controle essenciais para minimizar os prejuízos.
As mudanças climáticas, especialmente o aumento das temperaturas e a irregularidade das chuvas, têm impactado diretamente o desenvolvimento das frutas cítricas, afetando o florescimento e a formação dos frutos, como evidenciado pelas ondas de calor registradas no final do ano passado.
O mercado internacional de suco de laranja é sensível às variações de preço e oferta, o que influencia diretamente o consumo, especialmente em países como os Estados Unidos, que são grandes consumidores do produto.