Queda de investimentos no setor chega a 20% no estado; programa em São Carlos que assistia 4 mil jovens hoje conta com 60 vagas
Cortes na Cultura: Um Retrocesso para a Formação Cidadã
Um dos setores mais afetados pelos cortes de gastos federais é a cultura. A consequência direta disso é a redução da análise crítica e da exposição a diferentes formas de arte na formação do cidadão. Desde 2015, o orçamento previsto para o setor sofreu uma redução de 20%, com investimentos consistentemente abaixo do previsto. Artistas e profissionais da área cultural argumentam que, sem apoio adequado, projetos e apresentações culturais diminuem significativamente.
O Impacto Financeiro e Social dos Cortes
Preocupa a visão ainda presente de que a cultura serve apenas para lazer e entretenimento. Em tempos de crise, a cultura é um dos primeiros setores a sofrer cortes, demonstrando uma falta de valorização de seu papel fundamental na formação do pensamento crítico e na construção de um cidadão consciente. A remuneração justa dos profissionais da área é essencial, e o investimento público é um reconhecimento do seu trabalho e impacto na sociedade. Infelizmente, persiste a visão equivocada de que cultura, saúde e educação são gastos e não investimentos. Dados concretos demonstram essa situação: em 2015, dos R$ 950 milhões previstos, menos de R$ 770 milhões foram gastos; em 2017, dos R$ 770 milhões destinados, cerca de R$ 736 milhões foram investidos; e a previsão para 2018 era inferior a R$ 750 milhões. O resultado disso é o fechamento de oficinas culturais e a redução de projetos.
Consequências e Perspectivas
O gestor cultural Carlos Castilho, de São Carlos, relata que um projeto que atendia 4 mil pessoas foi reduzido para apenas três projetos com 60 vagas cada. Mesmo após o direcionamento de projetos para a Secretaria de Cultura de São Carlos, a disponibilidade desses projetos para a população é incerta. Em São Paulo, apesar do aumento do orçamento estadual em 2018 (R$ 216 bilhões, R$ 10 bilhões a mais que em 2017), a Secretaria de Cultura sofreu um corte de 4%. Secretarias como Habitação (-1%), Meio Ambiente e Esporte (-13%) também tiveram perdas. O sociólogo Carlos Eduardo Guimarães, do Instituto Federal de São Carlos, destaca que a restrição orçamentária para a cultura impacta diretamente o acesso à cultura por pessoas de baixa renda. A Secretaria Estadual de Planejamento atribui a queda nos repasses à recessão econômica e à revisão de recursos. Apesar da previsão de orçamento superior ao gasto em 2017, a situação permanece preocupante. A falta de investimento em cultura representa um prejuízo significativo para a sociedade, comprometendo a formação cidadã e o desenvolvimento social.



