Principais queixas são com a queima de aparelhos eletrônicos, tanto na zona rural, quanto na urbana
A falta de energia elétrica, um problema que muitos pensam ser coisa do passado, ainda assola moradores de Buritizal, tanto na área rural quanto na urbana, gerando transtornos e prejuízos financeiros.
Prejuízos no Comércio e na Indústria
Ennio Luiz Ribeiro, comerciante local, exemplifica a situação. A instalação de um elevador para facilitar o transporte de mercadorias em seu estabelecimento tornou-se inviável devido à voltagem insuficiente da rede elétrica. “Ficamos parados porque eu preciso da força ali que chegue 220 ali. E ela não chegava a 220”, relata, mencionando ainda a queima de câmeras de monitoramento devido às oscilações na rede. José Bertanha, outro morador, ecoa o sentimento: “Está difícil trabalhar deste jeito”.
Impacto na Zona Rural
Na zona rural, o problema se agrava. José Filho, carpinteiro, relata a perda de animais, a falta de água para consumo e irrigação, chegando a ficar até três dias seguidos sem energia. “Perdeu tudo que tem dentro da geladeira”, lamenta, mencionando a impossibilidade de utilizar uma chocadeira devido à instabilidade no fornecimento. Luiz Francis Jimenezes, presidente do sindicato rural de Buritizal, confirma que os prejuízos aos produtores são recorrentes e que, apesar de buscar soluções junto à CPFL, a empresa alega não conseguir atender à demanda devido à falta de investimentos e pessoal.
A Burocracia e a Falta de Solução
A dentista Lúcia Helena Barbosa Fonseca enfrentou a burocracia ao tentar obter ressarcimento pelo motor do portão eletrônico queimado. “Eles mandaram uma resposta padrão que manda para todo mundo que não foi registrado nenhuma ocorrência naquele horário e naquele dia”, conta, relatando que suas reclamações aos órgãos superiores também não surtiram efeito. José Reinaldo de Menezes, proprietário de uma chácara, teve que reembolsar inquilinos que perderam alimentos devido à falta de refrigeração durante um período de aluguel. Mesmo com protocolos de reclamação, a situação persistiu, evidenciando a falta de manutenção na rede.
Apesar de a CPFL afirmar que os indicadores técnicos de fornecimento de energia no município estão entre os melhores do país e negar o ressarcimento no caso de Lúcia Helena sob a alegação de ausência de registro de problemas no dia informado, os relatos dos moradores de Buritizal demonstram uma realidade diferente, marcada por prejuízos e dificuldades.



