Ouça a coluna ‘CBN Agronegócio’, com José Carlos de Lima Júnior
A queima da palha de cana-de-açúcar, um tema que poderia ser controverso, revela-se como uma nova e promissora fonte de renda para os produtores do setor sucroenergético. A valorização do megawatt no mercado energético tem impulsionado essa prática, tornando-a uma alternativa economicamente viável em comparação com a produção de etanol e açúcar.
A Queima Controlada e a Geração de Energia
É crucial distinguir a queima da palha realizada nas indústrias, com tecnologia apropriada para gerar energia, daquela observada em áreas de plantio. A legislação brasileira proíbe a queima da palha em áreas mecanizáveis, com um prazo limite para 2017 nas áreas não mecanizáveis. No entanto, o setor sucroenergético percebeu que a queima da palha na produção agrícola representa uma perda de recursos valiosos.
Nas usinas, a palha possibilita a geração de energia para a sua própria operação e ainda produz um excedente que é comercializado na rede de transmissão, beneficiando os consumidores. A queima inadequada, por outro lado, representa um desperdício de um recurso que pode ser altamente rentável, especialmente em um cenário onde a rentabilidade do etanol e do açúcar enfrenta limitações.
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Negociação e Especialização no Transporte da Palha
Pequenos produtores, que não estão diretamente ligados às usinas, podem se beneficiar ao coletar, transportar e negociar a palha com as indústrias. Essa prática é vantajosa para ambas as partes e para o meio ambiente. Anteriormente, a remuneração dos fornecedores de cana era fortemente atrelada ao ATR (Açúcar Total Recuperado), que avalia a qualidade do produto entregue à usina. No entanto, com a crescente importância da energia gerada pela queima da palha, os fornecedores estão buscando negociar contratos que reflitam essa nova fonte de renda.
Já existem fornecedores especializados no transporte da palha do campo para as usinas, o que demonstra o amadurecimento desse mercado. Essa alternativa pode auxiliar na recuperação de usinas, oferecendo uma opção adicional em um contexto de preços elevados da energia e de desafios no setor hidrelétrico.
Sustentabilidade e Competitividade da Palha
Em um cenário onde o etanol enfrenta desafios de rentabilidade e o açúcar está sujeito às flutuações do mercado global, a energia gerada pela queima da palha surge como uma alternativa rentável. Em um país com carência hídrica, a palha da cana oferece uma possibilidade de geração de energia em momentos de baixa oferta de água. Além disso, essa prática apresenta critérios de sustentabilidade, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa e contribuindo para a preservação do meio ambiente.
A competitividade da palha em termos de custo-benefício é notável, superando até mesmo a produção de etanol e açúcar. No contexto atual, ela representa uma fonte de receita para um setor que tem enfrentado dificuldades nos últimos anos, beneficiando tanto as usinas quanto os fornecedores em toda a cadeia produtiva.
Em resumo, a utilização da palha na indústria não só auxilia o meio ambiente e gera uma nova fonte de energia, mas também impulsiona a economia do setor.