Maria Angela Panelli, veterinária e zootecnista, explica como funciona os atendimentos aos animais vítimas das queimadas
O atendimento a animais vítimas de queimadas no interior do estado de São Paulo tem registrado casos graves nas últimas semanas. No último fim de semana, Queimados, desidratados e desnutridos: animais silvestres sofrem, o centro de atendimento do morro de São Bento recebeu um cachorro macho, que pesa cerca de 23 quilos, encontrado em Batatais com queimaduras nas quatro patas, no focinho e nas orelhas. O resgate foi realizado pela polícia ambiental, que também informou sobre a situação crítica enfrentada pelos animais da região devido aos incêndios.
Além do cachorro, um filhote de lobo-guará de aproximadamente três meses, Queimados, desidratados e desnutridos: animais silvestres sofrem, fêmea e com cerca de cinco quilos, foi socorrido com queimaduras nas duas patas traseiras. O animal foi encontrado próximo a uma usina em Sertãozinho e está sob atendimento intensivo. Ambos os animais estão desidratados e desnutridos, recebendo alimentação por indução e acompanhamento constante das equipes do zoológico local. O estado de saúde dos dois é grave, porém considerado estável.
Os incêndios que começaram no final de atrássto têm causado grande impacto na fauna local, com número de animais mortos e feridos ainda em levantamento. A veterinária Maria Ângela Panelli, especialista em recuperação de animais, tem acompanhado de perto os casos e destacou a gravidade da situação.
Leia também
“Tem chegado muitos animais precisando de socorro, mas nesta vez, estranhamente, não chegaram tantos. A polícia ambiental informou que foram tantas queimadas que muitos animais não tiveram chance de sobrevivência para serem resgatados”, explicou a veterinária.
Maria Ângela relatou que alguns animais chegaram com até 40% do corpo queimado e não resistiram, como um tucano que sobreviveu apenas três dias após o resgate. Segundo ela, os animais tentam fugir das chamas, mas a intensidade e a sequência das queimadas dificultam a fuga, deixando-os desnorteados e sem alternativas.
“Os animais tentam fugir, mas quando saem de uma área queimada, a próxima também está em chamas. A situação está muito intensa e está matando os animais, não deixando muitos feridos”, afirmou.
Além do risco imediato de morte, as queimadas afetam a oferta de alimentos para a fauna. Ninhos e abrigos são destruídos, o que compromete a sobrevivência dos filhotes e reduz as fontes de alimento disponíveis para os animais adultos.
“As queimadas queimam os ninhos. As mães aves conseguem voar, mas os filhotes morrem e ficam sem alimentação. A vida dos animais na natureza é muito complicada, eles precisam encontrar alimento diariamente”, destacou a veterinária.
Com a destruição dos habitats naturais, é esperado um aumento na presença de animais em áreas urbanas, em busca de alimento e espaço. Maria Ângela explicou que o crescimento das cidades tem invadido os corredores naturais dos animais, forçando-os a conviver com obstáculos como condomínios, muros e vidros, o que aumenta os riscos de acidentes e traumas.
“O animal tem um corredor natural na mata, mas quando esse corredor vira um condomínio, ele se choca com paredes e vidros. A população humana está avançando muito na área dos animais, e eles acabam migrando para as cidades”, comentou.
O retorno dos animais à natureza após queimaduras graves é difícil, pois muitos apresentam sequelas como rompimento de tendões, traumas cranianos e outras lesões que comprometem suas habilidades naturais, como voar ou correr. A veterinária ressaltou que, apesar dos esforços, apenas uma pequena parcela dos animais feridos chega a ser resgatada e tratada.
“Apenas cerca de 10% dos animais que morrem na natureza chegam até nós. O restante morre atrásnizando por atropelamentos, traumas causados por construções e outras interferências humanas”, lamentou.
O trabalho de recuperação desses animais é desafiador e requer dedicação das equipes envolvidas. Maria Ângela Panelli destacou a importância do atendimento especializado para garantir a sobrevida dos animais debilitados e agradeceu o apoio da comunidade e das autoridades ambientais.
“É um trabalho feito com muito prazer e sempre estou à disposição para colaborar com entrevistas e ações que possam ajudar esses animais”, concluiu.
Impacto das queimadas na fauna local
- Animais encontrados com queimaduras graves e em estado crítico.
- Destruição de ninhos e redução da oferta de alimentos.
- Dificuldade dos animais em fugir devido à intensidade e sequência das queimadas.
- Baixa taxa de animais resgatados em relação ao total afetado.
- Sequelas físicas que dificultam o retorno à vida selvagem.
- Necessidade de atendimento intensivo e alimentação por indução.
Desafios no resgate e recuperação:
- Deslocamento dos animais para áreas urbanas em busca de alimento e abrigo.
- Conflitos com estruturas humanas, como condomínios e vidros.
- Aumento dos riscos de acidentes e traumas.
Entenda melhor
Consequências para a fauna urbana: As queimadas no interior de São Paulo começaram no final de atrássto e têm afetado significativamente a fauna local. O resgate e tratamento de animais feridos são realizados por equipes especializadas, mas muitos animais não sobrevivem devido à gravidade das queimaduras e à rápida propagação do fogo. A destruição dos habitats naturais também provoca a migração dos animais para áreas urbanas, aumentando os conflitos com a população humana.



