Quem cuida também sofre: os impactos da depressão e de outros transtornos em quem oferece apoio
Conviver com alguém que enfrenta um transtorno mental pode ser desafiador e impactante para a saúde mental de quem está ao redor, especialmente familiares. Imagine a situação de ter um ente querido lutando contra a depressão, síndrome do pânico ou crises de ansiedade. O ambiente se torna carregado, e o equilíbrio emocional de todos pode ser afetado.
O Impacto da Dor Psíquica
Doença mental não é contagiosa no sentido físico, mas a convivência com quem sofre pode ser invasiva. A dor psíquica é desestruturante. Ao contrário de uma doença física, onde a dor é localizada e o tratamento claro, a dor psíquica é difusa e difícil de mensurar. Onde exatamente dói? Como aliviar essa dor? A sensação de impotência e despreparo é intensa e frequente.
O Estresse do Cuidador
Existe um termo, ainda não totalmente formalizado, chamado “estresse do cuidador”. O cuidador, seja de um paciente com transtorno mental ou físico, muitas vezes adoece junto. A atenção constante, o medo de que a pessoa atente contra a própria vida, as preocupações financeiras e a necessidade de oferecer suporte emocional podem levar a um estado de alerta constante, com descargas intensas de cortisol e adrenalina, comprometendo o sistema imunológico e aumentando a vulnerabilidade a doenças físicas e mentais, como depressão e ansiedade.
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Sinais de Alerta e o Que Fazer
Esteja atento a sinais como ansiedade frequente, irritabilidade, tristeza persistente, sentimento de culpa, fadiga constante, dificuldades para dormir, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, isolamento social, negligência com a própria saúde e uso aumentado de substâncias. Se você identificar quatro ou mais desses sinais, é hora de buscar ajuda.
Lembre-se que você não é culpado pela doença mental de quem você cuida. Não existe uma palavra mágica ou ato que resolverá a situação. Satisfaça-se com pequenas melhoras e comemore cada avanço. Estar presente e oferecer apoio já é muito. Tente se colocar no lugar do outro, participe do tratamento e busque orientação profissional. E, acima de tudo, cuide de você. Você não está sozinho.



