Estudos que já estão sendo praticados por algumas empresas, indicam que a semana de quatro dias pode melhorar o desempenho
Uma experiência realizada no Brasil reacende o debate sobre a adoção da semana de trabalho de quatro dias. Estudos conduzidos pela 4‑day week Brasil em parceria com a consultoria Reconnect Happiness acompanharam, ao longo de um ano, 21 empresas brasileiras que testaram o modelo e registraram resultados semelhantes aos observados em iniciativas internacionais.
Resultados e formato avaliado
O formato estudado foi o conhecido como 100/80 — pagamento integral (100%) por jornada reduzida a 80% do tempo habitual. A hipótese é que trabalhadores mais descansados e focados mantenham ou aumentem a produtividade. Entre os resultados relatados estão 82% de aumento na sensação de energia para executar projetos, 60% a mais de criatividade e depoimentos indicando redução do estresse em 62% dos casos.
Desafios de implementação
Especialistas alertam que a mudança exige planejamento detalhado. É necessário mapear atividades e entregas, revisar interações entre equipes e definir como ficará a comunicação quando colaboradores tiverem dias distintos de folga. Muitas empresas que testaram o modelo optaram por conceder o mesmo dia de folga para toda a equipe — alternando entre segundas, quartas ou sextas — para reduzir atritos operacionais.
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Outras medidas mencionadas incluem pesquisas de clima para avaliar a adesão dos funcionários, treinamentos para aumentar a eficiência dos dias úteis, uso de ferramentas (incluindo soluções com inteligência artificial) para identificar tarefas passíveis de redistribuição e assessoria jurídica para ajustar contratos e acordos individuais ou coletivos.
Reação de trabalhadores e perspectivas
Os impactos na vida pessoal aparecem como um dos pontos positivos apontados pelos participantes: consultas médicas, compromissos familiares, exercícios físicos e visitas a parentes, por exemplo, foram citados como ganhos importantes. A experiência também sinaliza uma possível irreversibilidade parcial do modelo: 27% dos entrevistados afirmaram que não voltariam a uma semana de cinco dias mesmo diante de aumento salarial, e muitos só considerariam o retorno com um acréscimo substancial (na ordem de 50%).
Apesar do otimismo, especialistas ouvidos pedem cautela. Projetos‑piloto bem delimitados e um estudo aprofundado sobre a cultura e os processos de cada organização são considerados passos essenciais para evitar perdas de produtividade ou conflitos trabalhistas.
O debate sobre a semana de quatro dias avança no Brasil com casos práticos e dados iniciais promissores, mas também com a consciência de que sua adoção em larga escala demanda adaptação das rotinas, renegociação de contratos e atenção a diferenças setoriais e operacionais.