Pedagoga Silvia Seixas, que já esteve na Coordenação Nacional das Entidades Negras (Conen), fala da importância deste debate
Uma pesquisa realizada pela inteligência em pesquisa e consultoria estratégica (Ipec), Racismo estrutural, encomendada pelo Instituto de Referência Negra Peregun e pelo Projeto Ceta – Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista, revelou que 96% dos brasileiros concordam que as pessoas pretas são as que mais sofrem com o racismo no país. Além disso, 88% afirmam que essa parcela da população é mais criminalizada do que a população branca.
Dados da pesquisa e desafios sociais
Os dados oficiais indicam a necessidade de políticas públicas efetivas para enfrentar o racismo estrutural no Brasil. A pesquisa destaca que, ao considerar recortes interseccionais como gênero e raça, as mulheres negras enfrentam condições ainda mais adversas, sofrendo um processo de desumanização que se manifesta em microagressões cotidianas.
Impacto do racismo e manifestações veladas: A pedagoga Silvia Seixas, Racismo estrutural, que já integrou a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Connem) e o Conselho Municipal de Desenvolvimento e Promoção da Igualdade Racial em Ribeirão Preto, ressaltou que o combate ao racismo é uma responsabilidade de toda a sociedade brasileira. Segundo ela, o racismo muitas vezes se manifesta de forma velada, por meio de atitudes e comentários que desqualificam a população negra, dificultando o reconhecimento formal desses atos como crime.
Desafios legais e institucionais: Silvia destacou que o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010, não contempla as ações afirmativas, como as cotas, que foram retiradas do texto para viabilizar sua aprovação. Ela apontou que, apesar dos avanços na legislação contra o racismo, ainda há dificuldades na tipificação e no registro dos crimes raciais, especialmente por parte das polícias civil e militar. Muitas vezes, ofensas racistas são tratadas como injúria racial, o que permite a aplicação de fiança e dificulta a responsabilização adequada.
Educação e mídia na transformação social: Silvia ressaltou a importância da educação para a transformação social, destacando que as escolas devem promover a conscientização sobre a diversidade étnico-racial para evitar a reprodução de preconceitos, como a estigmatização dos cabelos negros. Ela também enfatizou o papel fundamental da mídia, incluindo a CBN, em discutir o tema com clareza e frequência, contribuindo para a visibilidade e o combate ao racismo.
Entenda melhor
O 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, é um marco na luta contra o racismo no Brasil. Além de Zumbi, outras figuras importantes como Dandara, Lélia Gonzalez, Solano Trindade e Abdias do Nascimento são referências na resistência negra. A reflexão sobre o racismo deve ser constante e integrada às ações sociais, educacionais e políticas para promover uma transformação efetiva na sociedade brasileira.



