Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Lis Canello
O recente aumento nos preços nas refinarias já se faz sentir nos postos de combustível. Em um posto localizado às margens da rodovia Anguera, o preço do litro do diesel saltou de R$2,56 para R$2,71.
Para o motorista Pedro Vieira, encher o tanque de seu caminhão significou um gasto adicional de R$45. “Pago R$45 a mais, e vou fazer o quê? Não tenho o que fazer, vou ficar até ir mandando, né? Vamos ver até onde vai”, lamenta Pedro, expressando a frustração de muitos.
Impacto nos Transportadores
Desde a semana passada, o preço do diesel subiu 5% nas refinarias, enquanto o da gasolina aumentou 3%. As transportadoras são as que mais sentem o impacto desse aumento. Em Ribeirão Preto, uma empresa que opera com mais de mil caminhões calcula que o repasse representará um aumento anual de até R$1 milhão.
Reginaldo Dionizio, responsável pela frota, comenta: “Para eles que falam grandes, que foi pouco, para a Petrobras, né? Mas para quem está no dia a dia, é muita coisa, né?” Ele explica que a empresa utiliza cerca de 300 caminhões por mês, consumindo aproximadamente 500 litros por semana, o que torna o aumento significativo.
Efeito Cascata na Economia
O economista Luciano Nakabashi, da USP, aponta que, embora o aumento no ano seja menor que a inflação do período, o preço do combustível tem um efeito cascata. Ele interfere em todos os setores, desde a lavoura até o preço de produtos industrializados, pois os gastos com transporte são inevitavelmente somados.
“Todo produto que é vendido passa por algum meio de transporte”, explica Nakabashi, ressaltando que o reajuste impacta diretamente o consumidor. Ele prevê que o principal impacto será sentido nas bombas de gasolina e, possivelmente, no preço do álcool, devido à relação entre os dois combustíveis.
Reflexos no Bolso do Consumidor
O aumento do diesel afetará o preço dos produtos que dependem do transporte. No entanto, como os produtos têm uma série de custos, como mão de obra e capital, o impacto do diesel pode ser relativamente pequeno no geral. Nakabashi estima que o aumento do diesel impactará o IPCA em cerca de 0,10% a 0,15% este ano.
De acordo com o Cepea, o reajuste no valor da gasolina também deve levar ao aumento do etanol nas bombas, em média 5%. O cenário exige atenção dos consumidores, que precisarão ajustar seus orçamentos diante dos novos preços.
O aumento dos combustíveis gera preocupação em diversos setores da economia, com potencial para influenciar os preços de bens e serviços. Resta acompanhar os desdobramentos e buscar alternativas para mitigar os impactos no orçamento familiar e empresarial.



