Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
A economia brasileira enfrentou um período desafiador no início de 2016, com a recessão se aprofundando. O Produto Interno Bruto (PIB) registrou uma queda de 0,3% no primeiro trimestre em comparação com os três meses anteriores. No entanto, há sinais de que o pior pode ter ficado para trás.
Sinais de Melhora no Horizonte
Apesar do resultado negativo, a queda do PIB foi menor do que a esperada pelos analistas, que previam um recuo de 0,8%. Esse dado sutil, mas importante, sugere que a economia pode estar próxima de atingir o fundo do poço. As expectativas dos agentes econômicos, especialmente na indústria e, em menor grau, na construção civil, começaram a melhorar. Os complexos agroindustriais também mostram sinais positivos, assim como o consumo, com os supermercados indicando um leve aumento nas vendas.
Mudanças no Governo e Confiança na Economia
A mudança de governo, mesmo que interina, e a terceirização da gestão da política econômica para uma equipe experiente e com um diagnóstico claro dos problemas, trouxeram um novo ânimo. Essa equipe tem apontado soluções, algo que não se via há algum tempo. A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação de Receitas da União (DRU) até 2023 também é um sinal positivo. A DRU permite que o governo federal tenha mais flexibilidade na gestão do orçamento, podendo destinar até 30% das receitas sem vinculação obrigatória a gastos específicos.
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Desafios Persistentes e o Impacto no Emprego
Apesar dos sinais de melhora, o mercado de trabalho ainda enfrenta dificuldades. O Brasil possui mais de 11 milhões de desempregados, um número alarmante que representa um custo social elevado, especialmente para os menos favorecidos. A expectativa é que esse número ainda piore um pouco antes de começar a melhorar, com o emprego sendo o último indicador a reagir aos ajustes na economia. A recuperação do emprego depende da retomada da confiança e das decisões de investimento e contratação, que devem ocorrer gradualmente.
Embora o caminho para a recuperação seja longo e cheio de incertezas, os passos que vêm sendo dados indicam uma direção positiva. A cautela ainda é necessária, mas há esperanças de que, com os ajustes em curso, a economia brasileira possa apresentar uma melhora sensível até o final do ano.